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Vaticano critica freira por defender masturbação e homossexualidade em livro

Para a Santa Sé, publicação contém 'erros doutrinais' e 'teses inaceitáveis'

Por Da Redação - 4 jun 2012, 13h35

O Vaticano condenou oficialmente nesta segunda-feira o livro da religiosa americana Margaret A. Farley por sua tolerância à união homossexual, à masturbação e ao divórcio seguido de um novo matrimônio.

Em nota oficial, a Congregação para a Doutrina da Fé solicitou aos católicos que não consultem o livro Just Love. A Framework for Christian Sexual Ethics (Apenas Amor. Estrutura da Ética Sexual dos Cristãos, em tradução livre) porque, segundo o comunicado, não corresponde à posição da Igreja.

Para a congregação, o livro, publicado em 2006, contém “erros doutrinais cuja publicação causou confusão entre os fiéis”, razão pela qual decidiu realizar um posterior “exame com procedimento urgente”, que confirmou que suas “proposições são errôneas”.

Correção – As autoridades do Vaticano solicitaram a Margaret, em uma carta de 5 de julho de 2011, a correção de “teses inaceitáveis” de seu livro, o que a religiosa não aceitou fazer.

Professora de ética, Margaret defende a masturbação, que permite “às mulheres descobrir sua própria capacidade para o prazer, algo que algumas não descobriram e nem sequer conheceram em suas relações sexuais cotidianas com seus maridos ou amantes”, escreveu.

“A masturbação geralmente não implica nenhum problema de caráter moral”, argumenta.

Sobre a homossexualidade, a freira, que apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo, pede que tais relações sejam respeitadas e considera que as pessoas devem ter a possibilidade de a escolher ou não.

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Em relação ao divórcio, a autora diz que, diante das transformações “inesperadas” vividas pela sociedade e pelos casais, a “indissolubilidade do matrimônio” pode ser colocada em questão. Às vezes, o casamento pode “se dissolver” e o compromisso para toda a vida “mudar de maneira legítima”, afirma a religiosa.

A freira explica que casais com filhos ficam marcados para sempre pela experiência, mas isso não implica “a proibição de um novo matrimônio”.

Liberal – Diante das posturas liberais da freira, as autoridades da Igreja católica citaram cada um dos pontos abordados e se referiram ao catecismo e aos Evangelhos para rebater tais posicionamentos.

“A masturbação é um ato inerente e gravemente desordenado”, reitera a Santa Sé, que recorda que “o uso deliberado da capacidade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade, seja qual for o motivo que o determine”.

A condenação do Vaticano foi aprovada pelo papa Bento XVI.

Na sexta-feira passada, o Conselho Nacional da Conferência de Líderes de Mulheres Religiosas (LCWR, na sigla em inglês), que conta com 1.500 delegadas para representar 57.000 freiras, criticou a condenação do Vaticano, que qualificou como “sem fundamento” e fruto de “um processo obsoleto”.

(Com agência AFP)

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