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Vaticano considera errôneo e injusto aplicar lei do silêncio à pedofilia

Por Da Redação 8 fev 2012, 12h34

Cidade do Vaticano, 8 fev (EFE).- O promotor do Vaticano, Charles Scicluna, disse nesta quarta-feira que é errado e injusto aplicar a ‘lei do silêncio’ aos casos de pedofilia e que a Igreja tem a obrigação de cooperar com as autoridades civis, pois o abuso de menores não só é um delito canônico, mas também civil.

Scicluna, promotor de justiça do Vaticano, fez as declarações durante seu discurso no 3º dia do simpósio ‘Rumo à cura e à renovação’, sobre os escândalos de pedofilia na Igreja Católica, na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

O prelado ressaltou que reconhecer e admitir a verdade absoluta ‘com todas as dolorosas repercussões e consequências’ é o ponto de partida para uma cura autêntica, tanto das vítimas quanto do autor dos abusos.

Conforme o promotor, as vítimas precisam ser ouvidas com atenção e tratadas com dignidade quando embarcam na ‘esgotante’ viagem da recuperação e da cura, e que por isso é necessária a ajuda de especialistas.

Acrescentou ser extremamente importante que o abusador admita seu pecado, seu crime e sua responsabilidade pelos danos causados às vítimas, à Igreja e à sociedade.

Em 2010, o papa Bento XVI dirigiu uma carta aos católicos irlandeses, na qual exortava os clérigos pedófilos a examinar a consciência, que ‘admitam abertamente a culpa, assumam a responsabilidade dos pecados cometidos, expressem com humildade o pesar e submetam-se as exigências da justiça’.

Scicluna destacou que no sacerdócio e na vida religiosa não há lugar para nada que prejudique os jovens e garantiu que nenhuma estratégia de prevenção de abusos por parte da Igreja irá funcionar se faltar credibilidade.

Charles Scicluna discursou para os 110 representantes da Conferência Episcopal de todo o mundo e 30 superiores religiosos depois da vigília penitencial na igreja de Santo Inácio, em Roma, na noite de terça-feira.

Durante a vigília, o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, pediu perdão a Deus e às vítimas dos abusos sexuais cometidos por padres, que chamou de ‘fontes de vergonha e um enorme escândalo’. EFE

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