Clique e Assine por somente R$ 2,50/semana

Vaticano admite que João Paulo II sabia de ‘rumores’ sobre bispo pedófilo

Relatório afirma que Santa Sé, mesmo ciente dos boatos de abusos envolvendo o americano Theodore McCarrick, resolveu promover o clérigo

Por Da Redação Atualizado em 10 nov 2020, 12h42 - Publicado em 10 nov 2020, 12h11

Nesta terça-feira, 10, o Vaticano divulgou um relatório em que nega ter acobertado o abuso sexual de menores praticado pelo clérigo Theodore McCarrick. O sacerdote foi alçado ao cargo de cardeal, um ano depois de ter sido nomeado arcebispo de Washington, nos Estados Unidos, pelo papa João Paulo II, que sabia dos rumores sobre sua conduta.

A investigação foi realizada a pedido do papa Francisco. No documento de 450 páginas, a Santa Fé reconhece que a ascensão ao poder de McCarrick foi somente possível porque a Igreja errou ao considerar as informações sobre os crimes como meros “rumores”.

O relatório, que se baseia em mais de noventa entrevistas de testemunhas e em dois anos de consultas aprofundadas dos arquivos disponíveis, afirma que a primeira acusação oficial de pedofilia contra McCarrick foi feita apenas em 2017, após a denúncia de um homem que acusou o cardeal de abuso sexual nos anos 1970.

McCarrick era influente em Washington e por décadas desempenhou um papel fundamental na arrecadação de fundos para a Santa Sé por ricos doadores americanos.

Em 2018, ele foi julgado e considerado culpado por ter abusado de seminaristas menores de idade durante sua carreira. Como punição, perdeu seu título de cardeal e, em 2019, foi destituído do sacerdotismo. A denúncia e a condenação fazem parte da política iniciada por Francisco contra a “cultura do acobertamento” de abusos na hierarquia da Igreja Católica.

“Até 2017, ninguém apresentou ao papa Francisco qualquer documentação sobre as alegações contra McCarrick”, o relatório diz. “O Papa Francisco tinha ouvido apenas que havia alegações e rumores relacionados à conduta imoral com adultos ocorrida antes da nomeação de McCarrick para Washington” e que Francisco acreditava “que as alegações já haviam sido revisadas e rejeitadas pelo papa João Paulo II”.

Quando a primeira acusação de abuso sexual tornou-se publica, a resposta de Francisco “foi imediata”, de acordo com o relatório.

O caso abalou a hierarquia da Igreja Católica americana, pouco antes da publicação de um relatório devastador sobre os abusos em massa cometidos na Pensilvânia.

O ex-cardeal, que vive desde setembro de 2018 na pequena cidade de Victoria, no estado americano do Kansas, foi acusado sucessivamente de abusar sexualmente de outros menores e de ter relações com seminaristas que convidava para ir a sua casa de praia em Nova Jersey por muitas décadas.

Continua após a publicidade
Publicidade