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Valentine’s Day é alvo de repressão na Arábia Saudita

Comemoração da data é proibida, e a cor vermelha é considerada 'pecado'

Por Da Redação 14 fev 2012, 09h52

O Valentine’s Day não é celebrado com flores vermelhas e muito menos com presentes na Arábia Saudita, onde as autoridades religiosas proíbem taxativamente a comemoração da data que lembra o Dia dos Namorados. Desde o começo de fevereiro, a cor vermelha já desapareceu das lojas e se transformou em uma espécie de pecado, que ainda é motivo de castigo pelas estritas leis do reino wahhabista.

A “polícia da moral” lançou uma campanha para “purificar” as lojas de qualquer sinal de celebração da “festa do amor”, como é conhecido o Valentine’s Day na Arábia. Esse corpo, chamado oficialmente de Comissão para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício, só permite a realização das festas muçulmanas do Sacrifício e do Eid al Fitr, que marca o fim do Ramadã – o mês sagrado de jejum para os muçulmanos. Qualquer outra festividade que não esteja mencionada nos textos do islã é proibida.

“Na última semana, tirei os produtos vermelhos das vitrines. Deram-me um folheto sobre uma fatwa (decreto religioso) que proíbe a festa do amor. Foram amáveis em seus conselhos, mas me advertiram contra a venda de qualquer produto vermelho”, disse Samer al-Hakim, vendedor de uma loja de presentes em Riad. Apesar dessa medida ser respeitada todos os anos, Hakim fica chateado ao ver seus clientes entrarem em sua loja para buscar uma flor ou um presente adequado para a ocasião e sairem sem comprar nada.

Clandestinidade – Para outros dependentes como Ahmed, que trabalha em uma floricultura, a proibição da venda de presentes do Valentine’s Day beneficia os comerciantes que sobem os preços dos produtos para o dia dos namorados e os vendem de maneira clandestina. Quando uma pessoa pede alguma flor para Ahmed, ele manda um de seus funcionários pegar a encomenda no armazém, onde os presentes ficam escondidos. Neste caso, tanto o vendedor como o cliente correm o risco de serem castigados pelas autoridades religiosas. No entanto, o risco vale a pena para Ahmed, já que 30% das vendas anuais de sua loja são realizadas durante as primeiras duas semanas de fevereiro.

Mas outros comerciantes preferem fechar seus comércios nesta data para evitar problemas com a tal “polícia da moral”. Para Abu Faiçal, um agente dessa força, o máximo que eles podem fazer é fechar os estabelecimentos. Em declarações à agência de notícias EFE, Faiçal negou que os locais sejam queimados e destruídos, como asseguram alguns vendedores.

Quem não é muçulmano pode celebrar o Dia dos Namorados na Arábia Saudita – mas nunca em público. “Não intervimos se os não muçulmanos celebrarem o dia do amor em suas casas, mas não devem se manifestar nas ruas ou em um lugar público”, afirmou Faiçal, que negou qualquer prisão por esse motivo. “O amor é maravilhoso e não se deve celebrar em um só dia. Todos os dias devem ser dos namorados”, acrescentou o vigilante desta campanha contra os símbolos do Valentine’s Day.

(Com agência EFE)

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