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Uruguai elege ex-guerrilheiro Mujica

Por Da Redação 30 nov 2009, 08h12

José Mujica, um ex-guerrilheiro que promete manter políticas amigáveis aos investidores, venceu o segundo turno da eleição presidencial no Uruguai, no domingo, consolidando o poder nas mãos da coalizão de esquerda que já governa o país. Com 96% das urnas apuradas, Mujica tem 53% dos votos contra quase 43% para seu rival conservador, o ex-presidente Luiz Lacalle, segundo resultados oficiais.

Lacalle reconheceu a derrota mais de uma hora depois do fechamento das urnas, enquanto projeções mostravam que Mujica caminhava para a vitória. O triunfo de Mujica foi um testemunho da popularidade do presidente Tabaré Vázquez, que está deixando o cargo, e da dominação política da coalizão Frente Ampla, que supervisionou um sólido crescimento econômico desde que chegou ao poder há quatro anos.

“A melhor publicidade que tivemos foi Tabaré Vázquez”, disse Mujica em entrevista pela televisão. “Vamos continuar seu programa.” Mujica, que ficou preso por 14 anos por conta de suas atividades como guerrilheiro, superou alegações de que alinharia o Uruguai com a esquerda radical da América Latina, liderada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e disse que o passado de guerrilheiro ficou para trás.

Modelo – O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é o exemplo que o presidente eleito quer seguir, afirmou Mujica à televisão local. “O próximo governo vai ser um governo que sempre vai negociar e negociar até o fim, e quando dizemos negociar, significa tentar um acordo, por isso adotei como símbolo o Lula, um gigante da negociação”, declarou Mujica ao Canal 10. Lula foi várias vezes citado na campanha.

Em abril, Mujica já havia indicado em seu site que admirava Lula e que o governo do presidente brasileiro era um exemplo a seguir. “Lula não fez nenhuma revolução, mas tirou 50 milhões de pessoas que estavam mergulhadas na indigência e lhes deu dignidade e esperança”, afirmou na ocasião. Para retribuir os elogios, o presidente brasileiro recebeu Mujica, de 74 anos, no início de agosto, em Brasília.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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