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União Europeia adverte Ucrânia após mortes em protestos

Ao menos 4 manifestantes morreram baleados nas últimas 24 horas, depois que os conflitos com a polícia iniciados no domingo ficaram mais violentos

Pela primeira vez desde o início dos conflitos entre manifestantes e a polícia ucraniana, a cúpula da União Europeia (UE) se manifestou oficialmente sobre a crise na Ucrânia e advertiu as autoridades do país que a repressão do governo aos protestos e à liberdade de expressão pode resultar em “ações” da UE e ter “consequências” para as relações do bloco com Kiev.

As declarações foram emitidas após a escalada de violência nos confrontos e as mortes de ao menos quatro manifestantes nas últimas 24 horas – segundo os líderes dos protestos, todas as vítimas morreram baleadas quando enfrentavam a polícia nas ruas da capital.

“Estamos chocados com as últimas notícias da Ucrânia sobre as mortes de manifestantes e expressamos nossas mais profundas condolências às suas famílias. Nós deploramos nos termos mais fortes possíveis o uso da força e da violência, e convocamos as partes a começar a tomar medidas para acalmar a situação”, disse em comunicado o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Ele também ressaltou a responsabilidade das autoridades ucranianas de conter a violência e afirmou que as recentes restrições às liberdades fundamentais no país são preocupantes. “Estamos avaliando possíveis ações por parte da UE e consequências para nossas relações”, concluiu Barroso.

A onda de protestos na Ucrânia, que começou em novembro após a recusa do governo de assinar um acordo de associação com a União Europeia, ganhou novo estímulo semana passada após a aprovação pelo Parlamento de medidas para coibir as manifestações. A maioria dos legisladores, alinhados ao presidente Viktor Yanukovych, deu mais poderes para a polícia, aprovou a prisão de quem comparecer a um protesto usando máscara ou capacete e proibiu acampamentos em espaços públicos. A oposição questiona ainda outro texto, que obriga ONGs beneficiadas com financiamentos ocidentais a se registrarem como “agentes do exterior”.

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A Alta Representante da União Europeia para Relações Exteriores, Catherine Ashton, também emitiu nota condenando o aumento da violência e exortou governo e líderes opositores a interromper os confrontos. “Violência não é a resposta para a crise política”, declarou Ashton, que ainda expressou sua preocupação com a restrição aos direitos dos manifestantes. “Os direitos de reunião dos cidadãos ucranianos, a liberdade de expressão e de imprensa devem ser totalmente respeitados e protegidos. Estou profundamente preocupada com os ataques a jornalistas e relatos de pessoas desaparecidas”.

Negociação – Um dia depois de se negar a encontrar os líderes das três principais facções da oposição, o presidente Viktor Yanukovych se reuniu com os adversários políticos nesta quarta-feira. Segundo o site da Presidência ucraniana, foi um “primeiro passo” para o fim da crise. Compareceram ao encontro Vitali Klitschko, líder do partido Udar (“Soco”), Arseniy Yatsenyuk, do partido Batkivshchyna (“Pátria”), e Oleh Tiahnybok, do Svoboda (“Liberdade”).

Após a reunião, Klitschko, um ex-boxeador, disse em discurso aos manifestantes que o governo não deu nenhuma resposta às exigências dos opositores, como a revogação nas novas leis antiprotestos e eleições antecipadas. “Se o presidente não der um passo à frente amanhã (esta quinta-feira), nós vamos atacar”, convocou a multidão estimada em 50.000 pessoas.

Yanukovich chamou os opositores para uma nova reunião nesta quinta, quando o primeiro-ministro Nikolai Azarov, cuja renúncia é exigida insistentemente pela oposição, retorna do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Barricada – Na madrugada, os manifestantes impediram com uma grande barricada de fogo – alimentada com madeira, pneus e destroços de ônibus queimados – o avanço da polícia, que tenta desmontar o acampamento montado por eles na Praça da Independência, em Kiev.

Enfrentando temperaturas que rondam os 10 graus Celsius negativos, os opositores, na maioria jovens, lançam com a ajuda de catapultas improvisadas coquetéis molotov, paralelepípedos e pedras contra as forças de segurança. A polícia tentou, em vão, apagar o fogo com a ajuda de um caminhão de água, mas os manifestantes não pararam de alimentar as chamas com todo tipo de objeto inflamável.

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O Ministério do Interior, que somente confirmou a morte de dois manifestantes, informou sobre a prisão de 70 pessoas durante os distúrbios que explodiram no domingo e são uma continuação dos dois meses de protestos pela decisão do governo ucraniano de suspender a assinatura do Acordo de Associação com a União Europeia.

(Com agência EFE)