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União Europeia acompanha eleições gregas com inquietação

Céline Aemisegger.

Bruxelas, 3 mai (EFE).- A União Europeia observa com inquietação as eleições gregas deste domingo devido ao medo de que seu resultado prejudique o programa de ajustes e reformas estipulado com Atenas como condição ao envio de ajuda financeira ao país.

‘Há um temor nas instituições da UE e nas capitais europeias de que o futuro governo grego não vai implementar o plano de ajustes e reformas estipulado’ com os membros da zona do euro e a chamada ‘troika’ – formada pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI) -, disse à Agência Efe Janis Emmanouilidis, analista do Centro para a Política Europeia.

O clima de desconfiança em relação à Grécia é fruto do histórico do país nos últimos três anos, que começou com a manipulação de estatísticas econômicas e prosseguiu com a falta de compromisso e atrasos na implementação das reformas exigidas do país como condição para o recebimento do primeiro pacote de ajuda, concedido em maio de 2010.

Por isso, a zona do euro exigiu severas garantias para autorizar o segundo resgate. O chefe da UE para a ‘troika’, Matthias Mors, disse recentemente que a implementação do programa ainda está em risco e que as eleições podem significar o descumprimento das exigências da eurozona.

No atual contexto de recessão, a realização dos ajustes demanda um enorme esforço do país. Além disso, os gregos estão cansados das medidas de austeridade impostas pela UE, reconheceu Emmanouilidis.

Neste clima tenso aumentam os sentimentos antieuropeus e contra o resgate, e cresce o número de políticos que apresentam alternativas ao programa da ‘troika’.

No entanto, a UE admite que a inquietação em relação às eleições antecipadas diminuiu com a aprovação do segundo pacote de ajuda e a conclusão da troca de títulos da dívida grega.

A Europa está mais preocupada atualmente com o segundo turno das eleições presidenciais na França, que serão realizados no mesmo dia da votação grega, e com a queda do governo holandês.

Além disso, fontes da UE afirmam que os candidatos gregos sabem que qualquer mudança no programa de ajuda financeira depende dos membros da zona do euro.

Emmanouilidis afirmou que os dois principais partidos gregos, o Movimento Socialista Pan-Helênico (Pasok) e o conservador Nova Democracia (ND), sofrerão grandes perdas nas urnas.

Embora seja muito difícil prever o resultado, ele acredita também que é muito provável que surja uma ‘grande coalizão’ composta por mais partidos do que o atual governo de unidade dirigido pelo tecnocrata e independente Lucas Papademos, que contava até fevereiro com o apoio do partido de extrema-direita LAOS.

Apesar do descontentamento popular na Grécia, o analista prevê que a maioria dos gregos votará em partidos que manterão o país na zona do euro.

A maioria dos gregos defende a permanência do país no euro, mas 62,5% dos eleitores exigem uma política alternativa ao acordo de ajuda econômica.

Em todo caso, o Pasok e o ND, os únicos favoráveis ao pacto assinado com a eurozona e o FMI, ‘têm interesse em aplicar corretamente o acordo, embora isso provavelmente os prejudique nas próximas eleições’, disse Emmanouilidis.

‘Mas não fazer seus deveres de casa também tem seu preço’, advertiu. Estas eleições podem gerar uma situação contraditória, já que ‘os cidadãos estão fartos’, mas também sabem que, ‘apesar da recessão, uma saída do euro poderia ser pior. Por isso, muitos votarão no Pasok e na ND, justamente os dois partidos que levaram o país para a situação em que está’, explicou.

À espera dos resultados, a UE disse que, ‘ganhe quem ganhar, é preciso respeitar o programa’ estipulado, pois ele ‘beneficia todos’ os gregos. EFE