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União Africana denuncia canibalismo, tortura e estupro no Sudão do Sul

O relatório da União aponta que existem indícios de genocídio

As forças do governo e os rebeldes do Sudão do Sul deverão responder por todas as atrocidades cometidas contra a população civil durante a guerra civil no país, dentre os quais estupros e canibalismo, afirmou na última quarta-feira a União Africana (UA).

Uma comissão da UA, liderada pelo ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, realizou uma investigação que documentou horrores como forçar membros de uma comunidade a “beber o sangue e comer a carne de pessoas de seus próprios grupos étnicos”, segundo relatório.

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“A maioria das atrocidades foi cometida contra civis que não estavam diretamente envolvidos no conflito. Houve ataques contra locais de culto e hospitais, a ajuda humanitária foi dificultada e cidades foram saqueadas e destruídas”, narra o texto. Desde o seu início, em dezembro de 2013, a guerra civil no Sudão do Sul deixou dezenas de milhares de mortos.

“Há indícios que nos permitem acreditar que ambos os lados cometeram assassinatos, estupros, tortura e outros atos desumanos”, aponta o relatório, que vê indícios ​​de genocídio. O relatório pede que a UA crie um tribunal independente para julgar os responsáveis ​​por estes crimes.

O Sudão do Sul, que se tornou independente do Sudão em 2011 após décadas de conflito armado, mergulhou em dezembro de 2013 em um novo ciclo de violência com uma guerra entre partidários do presidente Salva Keir contra os de seu ex-vice-presidente Riak Mashar, com fundo de rivalidades étnicas.

(Com agência France-Presse)