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Um terço das geleiras do Himalaia irá derreter até 2100, aponta estudo

Degelo deve desestabilizar fluxo de rios e plantações na Ásia; ações ambientais não podem reverter o dano

Ao menos um terço do gelo das cordilheiras do Himalaia e do Indocuche irá derreter neste século com o aumento das temperaturas, desestabilizando o fluxo de rios vitais para áreas de cultivo da China à Índia.

As informações são de um estudo publicado nesta segunda-feira, 4, pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas. “O aquecimento global está a caminho de transformar os glaciares, os picos das montanhas cobertas por geleiras da região do Hindu Kush e Himalaia”, disse Philippus Wester, da entidade, que liderou as pesquisas.

O relatório, assinado por 210 autores, diz que mais de um terço do gelo da região irá derreter até 2100 mesmo se governos tomarem ações rígidas para limitar o aquecimento global seguindo o acordo climático de Paris de 2015.

Além disso, dois terços do gelo podem desaparecer se governos não conseguirem controlar as emissões de gases de efeito estufa ainda neste século.

O estudo foi realizado durante cinco anos e observou os efeitos das mudanças climáticas na região que passa por Afeganistão, Paquistão, Índia, Nepal, China, Butão, Bangladesh e Mianmar. A área, que inclui algumas das montanhas mais altas do mundo, tem geleiras que alimentam sistemas fluviais como os rios Indo, Ganges, Yangtzé e Mekong.

As pesquisas apontam que o impacto do derretimento pode variar de inundações causadas pelo aumento de escoamento a uma elevação dos níveis de poluição do ar em razão do carbono negro e poeira depositada nas geleiras.

O estudo afirma ainda que o degelo irá desestabilizar rios incluindo o Yangtzé, Mekong, Indo e Ganges, onde agricultores dependem do derretimento das geleiras nas estações de seca. Cerca de 250 milhões de pessoas vivem nas montanhas e 1,65 bilhão nos vales em seu entorno.

Mudanças nos fluxos dos rios também poderiam prejudicar a produção hidrelétrica e causar mais erosão e deslizamentos de terra nas montanhas.

Saleemul Huq, diretor do Centro Internacional para Mudança Climática e Desenvolvimento, um centro de pesquisas sobre meio ambiente em Dhaka, descreveu as descobertas no estudo como “muito alarmantes”. “Todos os países afetados precisam priorizar o combate a esse problema antes que ele atinja proporções de crise”, afirmou.

Huq foi um dos revisores externos do estudo, que ressaltou ainda que mesmo que um ambicioso Acordo de Paris consiga limitar o aquecimento global a 1,5°C até o fim do século, mais de um terço das geleiras da região serão perdidas. Se a temperatura global aumentar 2°C, dois terços dos glaciares do Himalaia derreterão.

O Acordo de Paris de 2015 foi um momento crucial na diplomacia internacional, reunindo governos com diferentes visões sobre como reduzir o aquecimento global. Foi estipulada uma meta de evitar que as temperaturas subam mais de 2°C, ou 1,5°C se possível, em relação aos níveis da era pré-industrial.

Segundo um estudo recente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, as emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, precisariam ser reduzidas a um nível que o planeta consegue absorver – conhecido como net-zero – até 2050 para manter as temperaturas globais em 1,5°C, como previsto no acordo.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)