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Um povoado no liquidificador

Situada no Círculo do Fogo, a Indonésia é uma das nações mais açoitadas por terremotos e maremotos. Na semana passada, duas catástrofes atingiram o país

No bairro de Balaroa, na cidade de Palu, na Indonésia, a paisagem costumava ser dominada por uma mesquita com domos dourados. Na sexta-feira 28 de setembro, pouco antes da reza noturna, um grupo de crianças se juntou nesse templo para recitar o Corão. Perto das 6 horas da tarde, um terremoto de magnitude 7,5 na escala Richter sacudiu o chão, e ondas de até 6 metros de altura invadiram as ruas. O edifício da mesquita se desfez, soterrando os pequenos, e se deslocou 30 metros para o lado. Moradores disseram que, por dois dias, ouviram gritos de socorro vindos de debaixo dos escombros, mas não conseguiram ajudar. Árvores caídas e pedaços de telhados pareciam fazer crer que o bairro todo tinha sido colocado dentro de um liquidificador gigantesco. De cima, só os domos dourados da mesquita podiam ser reconhecidos em Palu. Situada no Círculo do Fogo, a Indonésia é uma das nações mais açoitadas por terremotos e maremotos. Na quarta-feira da semana seguinte, um vulcão entrou em erupção. O país foi um dos mais atingidos pelo devastador tsunami que varreu o Sudeste Asiático no Natal de 2004. Daquela vez, o tremor alcançou magnitude 9 na escala Richter e 200 000 perderam a vida. Desde então, a região já registrou sete grandes terremotos. Por se tratar de um arquipélago com 17 000 ilhas, um dos fatores determinantes para prever o grau da tragédia é se o epicentro acontece em terra ou no mar. Em agosto, tremores em terra deixaram entre 130 e 430 mortos. Desta vez, falava-se em 1 424.

Publicado em VEJA de 10 de outubro de 2018, edição nº 2603