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‘Um país à deriva’, diz ‘The Guardian’ sobre resposta do Brasil à Covid-19

Jornal britânico traça paralelos entre resposta atual do governo brasileiro à pandemia do coronavírus e reação das autoridades da época à gripe espanhola

Por Redação - Atualizado em 15 jun 2020, 12h46 - Publicado em 15 jun 2020, 11h41

O jornal britânico The Guardian publicou nesta segunda-feira, 15, uma reportagem em que compara as atitudes do Brasil no combate à Covid-19 e as ações tomadas pelos governantes brasileiros em 1918, quando a gripe espanhola deixava incontáveis mortos nas ruas do país. Sob o título “Um país à deriva”, o jornal afirma que “existem paralelos estranhos e dolorosos entre o impacto da gripe espanhola – que historiadores dizem que matou entre 35.000 e 100.000 brasileiros – e o dano que o coronavírus está causando”. 

O periódico britânico elenca o fato de que, em ambas as epidemias, o governo tentou ocultar os dados e buscou diminuir a letalidade do vírus e que, somente após a morte do então presidente eleito Rodrigo Alves por gripe espanhola, a doença começou a ser levada a sério no Brasil.

“Lá atrás, como agora, médicos usaram remédios não testados e potencialmente perigosos”, afirma a publicação, que também enxerga semelhanças na postura do presidente Jair Bolsonaro em relação à cloroquina – droga antimalária usada no tratamento da Covid-19, mesmo sem haver evidências científicas quanto à sua efetividade no combate ao vírus.

Segundo o jornal, outros paralelos podem ser feitos, como por exemplo, a venda de curas milagrosas por parte de líderes religiosos e o aumento no números de teorias conspiratórias sobre a origem da doença. No caso da gripe espanhola, as teorias diziam que ela fora introduzida de forma proposital por submarinos alemães na costa do Brasil. Mas, na verdade, o navio britânico Demerara foi o responsável pelo chegada da doença ao país. Nos dias de hoje, com a Covid-19, a história se repete: o governo chinês teria introduzido o vírus no mundo de propósito, para obter ganhos econômicos e políticos, quando não há qualquer evidência dessa intenção.

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“Mas, talvez nenhum paralelo é mais cruel do que a maneira que ambas as catástrofes obliteraram a ideia de que as pandemias escolhem as vítimas indiscriminadamente”, diz a reportagem, porque a doença atinge mais pessoas pobres do que ricas.

Um século atrás, compara o jornal, das 5.000 mortes causadas pela gripe espanhola em São Paulo, a maioria era em bairros de operários de fábricas e de baixa renda. Em 2020, as áreas que mais sofrem com a Covid-19 são os bairros pobres da cidade, como Brasilândia, Freguesia do Ó e Capão Redondo, “onde muitos não tem o luxo de distanciamento social ou de trabalharem de casa.”, diz a publicação

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