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Um morto na repressão aos protestos no Bahrein na véspera do GP de Fórmula 1

Por Justin Tallis 21 abr 2012, 11h29

A oposição xiita do Bahrein anunciou a morte de um homem na madrugada deste sábado no local de uma manifestação “selvagemente” reprimida nas imediações do circuito de Sakhir, onde será disputado no domingo o Grande Prêmio de Fórmula 1 do país.

Foi a primeira morte nas manifestações relacionadas com a realização do GP, embora a revolta contra o regime sunita que governa este país do Golfo, que começou em fevereiro de 2011, já tenha custado a vida de dezenas de pessoas.

“O corpo do mártir Salah Abbas”, de cerca de 30 anos, foi encontrado perto de Shakhura, uma localidade xiita situada quatro quilômetros a leste de Manama, onde um protesto contra o regime foi “salvagemente” reprimido pelas forças de segurança, anunciou o Wafaq, principal grupo da oposição, em um comunicado.

O Ministério do Interior confirmou na rede social Twitter a descoberta de um corpo no sábado em Shakhura e informou que uma investigação policial tinha sido aberta.

Segundo um membro de sua família procurado pela AFP, Salah Abbas foi detido pelas forças de segurança quando participava em uma manifestação próximo a Shakhura.

Após a detenção, “não tivemos notícias dele até o anúncio da descoberta de seu corpo na manhã deste sábado”, declarou este parente, que pediu para não ser identificado.

Segundo várias testemunhas, dezenas de manifestantes enfrentaram durante a noite de sexta-feira as forças antidistúrbios em vários povoados xiitas situados perto do circuito de Sakhir, convocados pelo movimento dos “Jovens de 14 de Fevereiro”, uma coalizão radical.

Os distúrbios foram registrados após uma manifestação nas entradas de Karzakab, Al-Malikiya, Dumistão e Sada, povoados situados a alguns quilômetros do circuito, próximo a Manama, disseram.

Alguns manifestantes estavam encapuzados e outros usavam faixas com a inscrição “Sou o próximo mártir”. Entre os manifestantes também estavam muitos jovens vestidos de preto.

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Vários jovens incendiaram pneus nas estradas que levam a seus povoados e jogaram pedras e coquetéis molotov nos policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Os manifestantes bradavam palavras de ordem hostis ao governo, repetindo “Abaixo Hamad!”, em referência ao rei do Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa.

Nos últimos dias, a oposição denunciou dezenas de detenções e alguns feridos na repressão aos protestos.

O movimento “Jovens de 14 de Fevereiro” prometeu “três dias de ira” coincidindo com a realização do Grande Prêmio de Fórmula 1, com o lema “Não à fórmula de sangue”.

O protesto xiita no Bahrein motivou a retirada de uma das equipes da segunda sessão de treinos livres.

Apesar de tudo, o príncipe herdeiro, Salman Ben Hamad al-Khalifa descartou o cancelamento da prova, porque, segundo ele, “favoreceria os extremistas”.

As manifestações, convocadas pela oposição xiita que pede reformas constitucionais neste reino governado por uma dinastia sunita, obrigaram as autoridades a reforçarem a segurança do circuito de Sakhir, próximo à capital.

Organizações humanitárias criticaram a realização da corrida em plena crise política.

Segundo uma comissão independente, a repressão da revolta de fevereiro e março do ano passado deixou 35 mortos, sendo quatro por tortura. A Anistia Internacional indica, por sua vez, 60 pessoas mortas desde o início do movimento.

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