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Um ano após revolução, Líbia tenta construir seu futuro

Por Da Redação 13 fev 2012, 09h29

Samir Knayaz.

Argel, 13 fev (EFE).- A Líbia comemora o primeiro aniversário da explosão de sua revolução na próxima sexta-feira, 17 de fevereiro, satisfeita por ter acabado com o regime do ditador Muammar Kadafi, mas ainda tentando chegar ao final de seu caminho.

Na história ficarão registradas as dezenas de milhares de mortos e feridos nos oito meses do conflito armado – entre fevereiro e outubro – que acabaram com os 42 anos da ditadura ferrenha.

‘O dia 20 de outubro, que marcou o fim do regime do ditador, ficará marcado para sempre na vida dos líbios e será um orgulho para as futuras gerações’, afirmou à Agência Efe o integrante do Conselho Nacional de Transição (CNT) Salwa Dagheli, em referência à data na qual Kadafi morreu, pouco depois de ser detido e quando ainda estava sob custódia de um grupo de milicianos.

Após longos anos de injustiça e marginalização, a sociedade líbia, cheia de entusiasmo e esperança, embarcou em uma rebelião para tirar Kadafi do poder. No entanto, ao obter a vitória, teve que enfrentar a dura realidade: a dificuldade de reconstruir um país e erguer um Estado de direito com bases democráticas.

O consenso que havia sido mantido durante praticamente toda a revolução acabou e começaram a aflorar as diferenças entre os membros do CNT.

Os protestos e as manifestações foram surgindo timidamente após o fim da guerra e aumentado com o passar do tempo. A primeira consequência política foi a recente demissão do vice-presidente e porta-voz do CNT Abdel Hafiz Ghoga.

Por trás desse mal-estar está a incapacidade das autoridades de tomar as rédeas do país e controlar as milícias, seis meses depois do fim do conflito.

Em muitas ocasiões, esses grupos recorreram às armas para solucionar as diferenças ou impor sua lei em locais sob seu controle, em um claro desafio às autoridades.

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‘Começamos a sair de um período de revolução para entrar na construção de um Estado de direito. Temos reuniões importantes nos próximos meses para reerguer nossas instituições e consolidar a democracia que todos os líbios merecem’, comentou à Efe outro membro do CNT.

Em junho deverá ser escolhido um Congresso Nacional e uma Assembleia Constituinte para redigir a lei fundamental do país. No entanto, será preciso ainda pelo menos um ano para fechar o período de transição e realizar eleições gerais.

Para Dagheli, a tarefa mais importante não é reconstruir as cidades ou a economia, mas apagar as sequelas do velho regime e educar a sociedade sobre as práticas da democracia e seus princípios.

‘Hoje, podemos dizer sem dúvida nenhuma que a Líbia está bem, a segurança foi instaurada na maior parte do país e a população respira liberdade’, opinou.

Dagheli, que não deixou de citar os cada vez mais frequentes incidentes entre milícias, destacou que ‘os líbios devem mostrar ao mundo do que são capazes’.

‘Superamos a fase mais difícil, por isso podemos resolver as questões secundárias’, acrescentou.

O foco principal é a ‘Líbia de amanhã’: ‘um lugar que estamos construindo, onde os líbios tenham liberdade de expressão e a mulher esteja presente em todos os níveis’, ressaltou.

Outro desafio é a ameaça que os partidários do antigo regime podem representar, ressuscitada periodicamente por confrontos em algumas localidades e pelas declarações dadas por alguns filhos de Kadafi no exílio.

Na semana passada, Saadi Kadafi, refugiado no Níger, prometeu que voltará ao país para liderar uma rebelião contra as novas autoridades. No entanto, para o CNT essa ameaça não é representativa.

‘Os líbios estão conscientes e atentos. Estamos passando por dificuldades, mas olhando para um futuro radiante e não para um passado sombrio’, disse um membro do CNT. EFE

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