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UE: promotores do Brexit terão ‘lugar especial no inferno’

Às vésperas de encontro com May, presidente do Conselho Europeu cobra do Reino Unido 'sugestão realista' sobre a fronteira entre as Irlandas

Por Da Redação - Atualizado em 6 fev 2019, 17h15 - Publicado em 6 fev 2019, 16h14

O presidente do Conselho EuropeuDonald Tusk afirmou que aqueles que estimularam irresponsavelmente a saída do Reino Unido da União Europeia terão um “lugar especial no inferno”. Tusk fez a declaração para a imprensa ao lado do primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, com quem se reuniu nesta quarta-feira, 6, em Bruxelas, para discutir o polêmico controle de fronteiras.

O líder europeu afirmou ter abandonado suas esperanças de que o Brexit possa ser revertido e afirmou que sua nova prioridade é impedir um “fiasco” desse processo, que se tornará realidade daqui a 50 dias, caso não haja um acordo entre britânicos e europeus.

Em Londres, houve reações irritadas às declarações de Tusk. Parlamentares pró-Brexit o acusaram de ser “arrogante”, e o escritório da primeira-ministra, Theresa May, afirmou que o presidente do Conselho deveria questionar “se o uso deste tipo de linguagem é mesmo adequado.”

“Nós tivemos um referendo com uma campanha robusta e intensa neste país. No que foi o maior exercício de democracia de nossa história, o povo votou pela retirada da União Europeia”, refutou o porta-voz de May, acrescentando que o foco deveria estar na concretização do resultado aprovado pelos britânicos em 2016.

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Tusk disse saber “que um número grande de pessoas ainda sonham com uma reversão desta decisão”. Mas destacou que a postura de negociação de May com o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, representa a ausência de força política em favor da permanência do Reino Unido no bloco.

A líder da Câmara dos Deputados, Andrea Leadsom, que também fez campanha a favor do Brexit, afirmou que o Tusk deveria se desculpar por seus comentários “vergonhosos” e “maldosos”. “Tenho certeza de que, quando ele refletir, poderá desejar que nunca tivesse feito tais declarações”, disse Leadsom à rádio da BBC.

Imediatamente após as suas declarações, a conta de Tusk no Twitter replicou seus comentários:

No final da entrevista à imprensa, Varadkar foi flagrado dizendo para Tusk que sua fala lhe renderia “fortes críticas da imprensa britânica”. Tusk concordou com a cabeça, e ambos deixaram a sala rindo.

Na próxima quinta-feira, 07, Theresa May deve se encontrar com autoridades da União Europeia, também em Bruxelas, aos quais levará as exigências dos parlamentares britânicos de renegociação do acordo com o bloco, de novembro passado.

Tusk e Varadkar insistiram que não existe a possibilidade de mudanças no texto, incluindo na questão da fronteiras entre as Irlandas, o chamado backstop, o artigo totalmente rejeitado pelo Parlamento. Varadkar disse que o acordo fechado em 2018 foi “o melhor possível”. Segundo ele, Dublin não desistirá de um backstop temporário, obrigando o Reino Unido a manter várias regras da União Europeia até que seja definida outra forma de evitar uma fronteira hostil entre os países.

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“Nós queríamos que o ‘backstop’ nunca fosse utilizado. Mas a instabilidade da política britânica nas últimas semanas demonstrou exatamente o porque precisamos de uma garantia legal”.

Já Tusk afirmou que acredita em um consenso para o acordo, mas cobrou ações de May. “Espero que amanhã possamos ouvir uma sugestão realista da primeira-ministra sobre como podemos encerrar este impasse”.

(Com Reuters) 

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