UE despacha lideranças à Ucrânia e anuncia ajuda de R$ 36 bi em meio a escalada da guerra
Pacote visa fortalecer a defesa ucraniana diante da intensificação de bombardeios russos e afastamento dos EUA
A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira, 24, um novo pacote de ajuda de 6,1 bilhões de euros (cerca de R$ 36 bilhões) para a Ucrânia, ao passo que lideranças do velho continente viajaram a Kiev enquanto o país celebra o 35º aniversário de sua independência.
A ajuda é parte de um empréstimo de 90 bilhões de euros concedido a Kiev. Mais da metade do montante será destinada à assistência militar, incluindo o reforço da defesa aérea, além da aquisição de mísseis e munições.
A Comissão Europeia justificou a liberação do valor afirmando que o fortalecimento das defesas ucranianas se tornou cada vez mais urgente. Segundo o bloco, a Rússia realizou quase 400 ataques com mísseis apenas em julho.
Intensificação dos ataques
O anúncio ocorre em meio à intensificação dos ataques russos e à pressão de Kiev por mais sistemas de defesa aérea. A Ucrânia depende de mísseis do sistema de defesa aérea Patriot, fornecidos pelos Estados Unidos para interceptar parte dos mísseis russos.
Washington, no entanto, reduziu seus estoques após o uso de grande quantidade de interceptadores durante o conflito com o Irã e tem demonstrado resistência em ampliar os envios.
No sábado, o presidente francês, Emmanuel Macron, se comprometeu a enviar interceptadores para a Ucrânia após uma nova onda de ataques.
Coalizão dos Dispostos
As novas medidas são discutidas enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, recebe os principais aliados europeus que integram a chamada Coalizão dos Dispostos. O grupo se reúne para discutir novas formas de apoio a Kiev, quatro anos e meio após o início da invasão russa em larga escala.
“Neste Dia da Independência da Ucrânia, expressamos nosso apoio inabalável”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em sua conta no X (ex-Twitter).
Enquanto isso, a Rússia acusou o Reino Unido de dificultar as negociações de paz ao fornecer à Ucrânia informações necessárias para a produção de mísseis de longo alcance SCALP. O novo premiê britânico, Andy Burnham, está entre os líderes que viajaram a Kiev nesta segunda-feira.
“A Grã-Bretanha está, de forma metódica e regular, atiçando o fogo e a tramando esquemas para impedir até mesmo o mínimo progresso no processo de paz”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acrescentando que Moscou atacaria e “destruiria” as instalações de produção do míssil na Ucrânia.
O presidente russo, Vladimir Putin, também acusou Kiev, no sábado, de ter “aberto a caixa de Pandora” ao atacar a economia russa com disparos cada vez mais frequentes contra refinarias de petróleo. A campanha com drones de longo alcance já provocou escassez generalizada de combustível em Moscou e outras cidades do país.







