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UE chama de ‘escalada’ ataque do Irã a bases dos EUA no Iraque

Chefe da diplomacia do bloco anunciou reunião de emergência com os 28 estados membros, incluindo o Reino Unido, para sexta-feira

Por Caio Mattos - Atualizado em 8 jan 2020, 13h51 - Publicado em 8 jan 2020, 13h21

O comissário das Relações Exteriores da União Europeia, Josep Borrell, afirmou nesta quarta-feira, 8, que o ataque com mísseis por parte do Irã contra bases utilizadas pelos Estados Unidos no Iraque é “um novo exemplo de escalada” de conflito armado. Chefe da diplomacia europeia, Borrell também anunciou uma reunião de emergência do bloco para sexta-feira 10.

“O último ataque a mísseis contra [as duas] bases aéreas usadas por soldados americanos e também europeus, no Iraque, é um exemplo a mais da escalada e do aumento da confrontação”, disse Borrell.

Como resposta à situação, representantes de todos os 28 membros da União Europeia — incluindo o Reino Unido, ressaltou o diplomata — se encontrarão na sexta-feira, 10, em uma reunião especial do Conselho de Relações Exteriores do bloco, em Bruxelas. A pauta do encontro deve incluir o acordo nuclear iraniano, ameaçado pelo recuo do Irã em compromissos do tratado.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, foi convidado a participar da reunião, mas ainda não confirmou publicamente sua presença. Em seu perfil oficial no Twitter, Zarif defendeu o ataque iraniano como “medidas proporcionais de autodefesa em concordância com o artigo 51 da Carta das Nações Unidas”.

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Borrell também alertou que a crise diplomática tem “implicações” nos esforços da coalizão internacional que combate ao extremismo do Estado Islâmico — uma das bases atingidas pelo Irã, em Erbil, no norte do Iraque, foi usada por soldados americanos antes da operação que resultou na morte do antigo líder do grupo terrorista, Abu Bakr al-Baghdadi, em outubro.

Lideranças das três maiores economias da União Europeia — Alemanha, França e Reino Unido, que pretende sair efetivamente do bloco até o final deste ano — já haviam pedido a Teerã para se abster de “novas ações violentas” antes da última ofensiva iraniana, que atingiu as bases de al-Asad e de Erbil na madrugada de terça-feira, 7, para quarta-feira, 8.

Em uma declaração conjunta, divulgada no domingo 5, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o premiê britânico, Boris Johnson, pediram “restrição e responsabilidade”.

“Estamos prontos para continuar nosso envolvimento com todos os lados, a fim de contribuir para diminuir as tensões e restaurar a estabilidade na região”, concluíram.

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(Com AFP)

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