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Ucrânia reabre investigações contra empresa ligada ao filho de Joe Biden

Procuradoria diz que revisão não foi motivada por pressão política; Trump é acusado de coagir ucranianos para prejudicar adversário eleitoral

Por Da Redação Atualizado em 4 out 2019, 11h36 - Publicado em 4 out 2019, 09h35

A Ucrânia iniciará uma revisão das investigações por corrupção contra a empresa de energia Burisma Holdings, ligada ao filho do ex-vice-presidente democrata dos Estados Unidos Joe Biden, anunciou nesta sexta-feira, 4, o procurador-geral do país, Ruslan Riaboshapka.

O presidente americano, Donald Trump, é acusado de ter pressionado o governo da Ucrânia para reabrir os casos e apurar possíveis ações ilegais de Biden e seu filho, Hunter. O democrata é o maior adversário de Trump para as eleições presidenciais de 2020.

“Estamos fazendo uma auditoria dos casos que foram supervisionados anteriormente pelo escritório da Procuradoria-Geral. Estamos revisando todos os casos que foram arquivados para decidir se isto foi ilegal”, afirmou Riaboshapka.

O procurador destacou que estes casos, quase 15, não envolvem a princípio Hunter Biden, que entrou em 2014 para o conselho de administração da Burisma. Inicialmente, a revisão dos casos afetaria mais o fundador da empresa, Mikola Zlochevski, e o empresário ucraniano Serguei Kurtchenko, de acordo com diversas fontes.

Hunter Biden foi membro do conselho de administração da Burisma entre 2014 e 2019.

O procurador também afirmou que a reabertura dos casos não foi motivada por pressão política. “Nenhum político estrangeiro ou ucraniano me ligou ou tentou influenciar minhas decisões”, insistiu.

O caso Ucrânia

Os democratas da Câmara dos Deputados estão investigando se Trump pressionou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de forma inadequada, pedindo-lhe que buscasse informações comprometedoras sobre Joe Biden. A denúncia sobre o caso foi compilada em nove páginas por um funcionário anônimo que atua na inteligência americana.

O objetivo de Trump era que o governo ucraniano apurasse a fundo a participação do ex-vice-presidente americano na demissão do ex-procurador-geral do país, Viktor Shokin. Segundo ele, em 2014 Biden teria pressionado o então presidente da Ucrânia Petro Porosheko a demitir Shokin. O procurador supostamente estava encarregado da investigação contra a Burisma.

Diante das suspeitas, Trump pediu a Zelensky que trabalhasse ao lado do secretário de Justiça americano, William Barr, para investigar as ações de Biden no país. O diálogo entre os dois presidentes aconteceu durante uma ligação telefônica em julho passado. A transcrição da conversa foi liberada pela Casa Branca na semana passada.

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O jornal Kyiv Post, porém, informou que Hunter e Joe Biden não foram investigados na Ucrânia e que os processos criminais abertos na Justiça local envolviam apenas a Burisma e Mykola Zlochevsky. Também publicou que Shokin não participara desses casos e que sua demissão era solicitada por diferentes setores da sociedade por sua obstrução e omissão em investigações de corrupção.

Em resposta, a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, anunciou a abertura de um processo formal de impeachment contra Donald Trump por abuso de poder.

Diplomatas pressionaram Ucrânia

Mensagens de texto divulgadas nesta quinta-feira 4 pelo Congresso americano mostram como diplomatas americanos agiram para pressionar Zelensky a reabrir as investigações contra a Burisma. Os diálogos foram entregues aos comitês da Câmara dos Deputados pelo ex-enviado especial dos Estados Unidos na Ucrânia, Kurt Volker. 

As mensagens evidenciam o que seria uma oferta de troca de favores por parte dos americanos. Nas conversas, Volker e outros dois diplomatas – William Taylor, encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos na Ucrânia, e Gordon Sondland, embaixador americano na União Europeia – deixam claro ao governo ucraniano que uma possível melhora nas relações entre Kiev e Washington iria depender da cooperação de Zelensky na busca por informações sobre Joe e Hunter Biden. 

A investigação ainda teria sido imposta pelo governo americano como condição para a realização de uma visita de Estado do presidente ucraniano à Casa Branca.

Pouco antes de seu telefone com Zelensky, Donald Trump deixou em suspenso o envio de 250 milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia, que conta com o financiamento para reforçar a defesa contra a Rússia. No início de setembro, Taylor, o diplomata de patente mais alta na embaixada americana em Kiev, expressou preocupação com a medida. “Eu acho loucura condicionar assistência em segurança a ajuda em uma campanha polícia”, escreveu.

Sua apreensão foi descartada por Gordon Sondland, que afirmou que ele estava interpretando as intenções de Trump de forma equivocada. 

Demissão da embaixadora americana

Segundo fontes próximas ao assunto, Trump decidiu retirar de seu cargo a embaixadora americana para a Ucrânia, Marie Yovanovitch, em maio deste ano após meses de reclamações de aliados de fora do governo, inclusive do advogado pessoal dele, Rudy Giuliani.

A reclamação era de que ela estava minando o trabalho dele no exterior ao obstruir esforços para persuadir Kiev a investigar Joe Biden.

A demissão de Yovanovitch se tornou um foco de interesse na investigação de impeachment contra Trump na Câmara. Segundo a denúncia feita pelo funcionário anônimo que deu origem ao caso, a saída da embaixadora foi um dos fatos que abriram caminho para o suposto abuso de poder de Trump.

(Com AFP)

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