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Ucrânia prepara ofensiva e pede que civis deixem Donetsk

Exército emitiu alertas para a população do principal reduto separatista no leste do país. Corredores humanitários também foram abertos para automóveis civis

Por Da Redação - 5 Aug 2014, 08h22

O governo central da Ucrânia emitiu nesta semana uma série de alertas para que os civis residentes em Donetsk, ao leste do país, deixem suas casas antes de uma grande ofensiva militar prevista para acontecer nos próximos dias. O jornal The Washington Post reportou que os militares fecharam o cerco à cidade e abriram corredores humanitários para automóveis com bandeiras brancas trafegarem. “Como a prática mostra, tais mensagens são distribuídas antes do início de operações ativas de combate”, disse a prefeitura de Donetsk, por meio de seu site oficial.

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Os alertas não foram bem recebidos por parte da população local. Os separatistas pró-Rússia, que declararam Donetsk uma “república popular independente”, têm feito intensa propaganda contrária a Kiev. Há civis na cidade que apoiam os rebeldes e questionam a legitimidade da ofensiva programada pelo Exército ucraniano. Relatos de residentes colhidos pela rede CNN mostram o grau da lavagem cerebral sofrida por uma ala dos civis. “Os malditos americanos estão nos encurralando. O que eles estão fazendo? Onde há guerra no mundo, eles estão envolvidos?”, disse uma mulher que procurava abrigo. “Este governo não vale nada, ele é fascista. Por que eles precisam atirar contra pessoas inocentes”, acrescentou a moradora Svetlana Ivanovna, que apontava para uma escola atingida pelos conflitos.

​Em nova afronta à comunidade internacional, o governo russo anunciou na segunda-feira que realizará manobras militares próximas à fronteira com a Ucrânia. A agência Interfax informou que 100 aeronaves do Exército russo, incluindo caças e bombardeiros, participarão dos exercícios. Estão programados disparos de mísseis e práticas de “coordenação entre a aviação militar e o aparato antiaéreo de defesa”, afirmou um porta-voz do Exército. Os exercícios foram confirmados pelo Kremlin após os Estados Unidos e a União Europeia aprovarem na última semana mais uma rodada de sanções contra a economia de Moscou.

Abusos – A Human Rights Watch (HRW), organização em prol dos direitos humanos, acusou os separatistas pró-Rússia de ameaçarem equipes médicas e usarem ambulâncias para levar milícias rebeldes aos campos de batalha no leste da Ucrânia. O grupo disse ter fortes indícios que comprovam a denúncia e urgiu as milícias a interromperem a destruição de equipamentos médicos que seriam usados em favor da população. “Os ataques de insurgentes pró-Rússia a unidades médicas têm colocado pessoas doentes e vulneráveis sob um risco considerável”, disse a pesquisadora Yulia Gorbunova. O HRW também criticou Kiev pelo uso de armamentos impreciso em áreas densamente povoadas por civis, informou o jornal The Guardian.

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Voo MH17 – Especialistas malaios chegaram à região em que o voo MH17 da Malaysia Airlines foi derrubado por um míssil russo, vitimando as 298 pessoas que estavam a bordo. Os analistas serão incumbidos de auxiliar na busca pelos restos mortais de passageiros que ainda não foram localizados. Segundo a agência de notícias France-Presse, 220 caixões já foram levados para a Holanda, país que sofreu o maior número de vítimas no desastre. Um avião com objetos coletados em meio aos destroços e amostras de DNA também partiu rumo a Amsterdã para trazer novas informações ao processo de identificação dos mortos. A área da tragédia possui cerca de 20 quilômetros quadrados e sofre com os constantes ataques dos separatistas pró-Rússia. O jornal Daily Telegraph destacou que tiros ainda são ouvidos enquanto os investigadores trabalham na região.

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