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Ucrânia: plano de paz dá voz a separatistas

Presidente Petro Poroshenko garante na TV segurança para rebeldes não envolvidos em mortes participarem de diálogo, mas conflitos seguem

Por Da Redação 22 jun 2014, 10h46

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, apresentou neste domingo em discurso na TV seu plano de paz para o leste separatista. O plano prevê o diálogo com os rebeldes pró-Rússia sem envolvimento em atos “de assassinato ou tortura”, a fim de restaurar a integridade do país. O pronunciamento ocorreu depois da entrada em vigor de um cessar-fogo declarado por Kiev para permitir que os rebeldes entreguem suas armas. Os combates entre o Exército da Ucrânia e os rebeldes, porém, continuam com a mesma intensidade. Pelo menos 375 pessoas foram mortas.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que havia aprovado o princípio de um cessar-fogo, apelou neste domingo por “um diálogo substancial” entre as partes em conflito na Ucrânia. Putin também pediu a Kiev que pare com suas operações militares no leste do país. “As operações militares não pararam. Não posso dizer quem é responsável”, declarou. Moscou já havia considerado no sábado que as condições apresentadas pelo presidente ucraniano para acabar com a revolta não seriam realistas sem a participação dos separatistas na mesa de negociações.

Em seu discurso, Poroshenko, que tomou posse no dia 7 de junho apoiado por líderes ocidentais, afirmou que o “ambiente pacífico é o nosso palco principal. É o nosso plano A”. Mas advertiu que “aqueles que pretendem utilizar estas negociações de paz com o único objetivo de ganhar tempo e reunir suas forças devem saber que nós temos um plano B. Não irei detalhá-lo agora, porque eu acho que o nosso plano pacífico vencerá”, disse.

Pouco antes, um líder rebelde considerou que os esforços de Poroshenko eram “insignificantes”, enquanto não incluísse a retirada das tropas ucranianas do leste e um reconhecimento de sua independência.

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“Alguns pontos de vista totalmente opostos não serão uma barreira para a participação nas negociações. Estou disposto a conversar com aqueles extraviados que optaram por posições separatistas. Exceto, é claro, aqueles que se envolveram em atos de terrorismo, assassinato ou tortura”, declarou o presidente. “Eu garanto a segurança para todos os participantes nas negociações, para todos aqueles que quiserem adotar a linguagem dos argumentos e não a linguagem das armas.”

Este plano de paz foi revelado há alguns dias no site de uma televisão local. O plano, contudo, não fazia menção a um diálogo com os separatistas, tendo referência apenas a uma anistia para “aqueles que depuserem suas armas e que não cometeram nenhum crime grave”.

Em Siversk, uma localidade de 3.000 habitantes a oeste de Slaviansk, um dos redutos separatistas, o anúncio de cessar-fogo produziu pouco efeito junto aos rebeldes, que prosseguem os combates contra as autoridades de Kiev. “Nós vamos persistir. Meus dois avôs foram mortos na Segunda Guerra Mundial. Eles lutaram contra o nazismo. Eu continuo o combate”, afirmou Andreï, de 31 anos.

O plano de paz inclui a criação de uma zona tampão de 10 quilômetros ao longo da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia e um corredor para os mercenários russos, que lhes permita voltar à Rússia após entregarem suas armas. Também prevê o fim da “ocupação ilegal” dos edifícios da Administração Regional de Donetsk e Lugansk, controladas pelos rebeldes, a rápida organização de eleições locais e um programa para a criação de emprego na região. Outros pontos do documento são a descentralização do poder e a proteção da língua russa por meio de emendas à Constituição.

Paralelamente a esses esforços, Kiev e seus aliados ocidentais estão preocupados com a presença de novas forças russas ao longo da fronteira. Os Estados Unidos acusaram Moscou de armar os rebeldes e advertiram para o envio de qualquer tropa à Ucrânia. Um porta-voz do Conselho ucraniano de Segurança e Defesa, Volodymyr Tchepovii, disse neste domingo que nenhum equipamento militar cruzou a fronteira nos últimos dois dias. No sábado, o presidente da Rússia enviou mensagens contraditórias às autoridades ucranianas, colocando suas forças armadas em estado de alerta e, em seguida, oferecendo apoio ao plano de paz de Poroshenko.

(Com AFP)

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