Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Ucrânia acena com anistia caso separatistas se rendam

Em pronunciamento, presidente em exercício da Ucrânia prometeu operação 'em grande escala' para combater ativistas pró-Rússia

Por Da Redação - 13 abr 2014, 19h02

O presidente em exercício da Ucrânia, Oleksander Turchinov, fez um pronunciamento neste domingo, após militantes separatistas pró-Rússia atacarem prédios públicos em cidades do sudeste do país. Turchinov avisou que os rebeldes têm até a próxima segunda-feira para desocupar os edifícios. Se concordarem, o governo da Ucrânia concederá anistia aos manifestantes. O perdão não inclui quem usou armas contra militares legalistas.

Leia também:

Ucrânia inicia operação contra militares pró-Rússia que tomaram delegacia em Slaviansk

“Não vamos permitir qualquer repetição do cenário de Crimeia no leste da Ucrânia.”, disse o presidente durante o pronunciamento transmitido pelas emissoras de TV locais.

Publicidade

De acordo com Turchinov, as Forças Armadas da Ucrânia vão iniciar uma operação de “grande escala” para combater os ativistas pró-Rússia, o que eleva o risco de um confronto militar com o país vizinho. Nos últimos dias, a Rússia enviou tropas para a fronteira com a Ucrânia e foi acusada de desestabilizar o país. O objetivo seria criar um pretexto para “proteger” a população ucraniana. “O sangue de heróis ucranianos foi derramado na guerra que a Federação Russa está travando contra a Ucrânia”, disse o presidente, em comunicado.

Em resposta ao anúncio feito por Turchinov, o ministro de relações exteriores da Rússia chamou a operação militar da Ucrânia de “ordem criminosa” e afirmou que o Ocidente deve manter sob controle seus aliados. “Agora é responsabilidade do Ocidente evitar uma guerra civil na Ucrânia”, disse o governo russo, em comunicado. O conselho de segurança da ONU realizará uma reunião de emergência às 21 horas de domingo (horário de Brasília) para tratar da crise no leste da Ucrânia. O pedido foi feito pela Rússia.

Ataques coordenados – A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Samantha Power, reafirmou neste domingo que “haverá um aumento das sanções” à Rússia, caso o país não reduza a tensão no leste da Ucrânia. Segundo ela, os movimentos pró-Rússia compartilham “os mesmos sinais do que vimos na Criméia”, região autônoma da Ucrânia anexada pela Rússia em um referendo considerado ilegal pelos EUA e União Europeia.

“É um movimento profissional, coordenado, não há nada nisso que pareça ter surgido da população de base. As forças fizeram exatamente o mesmo em cada uma das seis ou sete cidades nas quais estiveram ativas. Portanto, certamente, há sinais delatores do envolvimento de Moscou”, disse Samantha. As sanções dos EUA à Rússia, segundo a embaixadora, já apresentaram efeito. “A Bolsa de Valores russa se depreciou em 20%. Os investidores estão fugindo e o presidente deixou claro que novas sanções nos setores de energia, finanças e mineração podem estar sobre a mesa”, disse ela.

Publicidade

Os militares pró-Rússia entraram em confronto com a polícia neste domingo, um dia depois de militantes separatistas pró-Rússia invadirem uma delegacia e içarem a bandeira da Rússia na cidade de Slaviansk, no leste da Ucrânia. “Os separatistas também sofreram baixas, em número indeterminado. Eles tentaram se proteger com um escudo humano formado por civis”, disse o ministro do interior da Ucrânia, Arsen Avakov, em uma mensagem publicada no Facebook neste domingo. Durante os confrontos, um oficial morreu e cinco soldados ficaram feridos.

(Com agência France-Presse e EFE)

Publicidade