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Ucrânia, 3ª Guerra Mundial, Otan e IA: o que fala Putin em rara entrevista

O líder da Rússia conversou com o ex-âncora da Fox News Tucker Carlson; líderes mundiais criticam dar palco para 'mentiras' e 'conspirações'

Por Da Redação
9 fev 2024, 09h28

O presidente russo, Vladimir Putin, deu uma rara entrevista a um jornalista americano, o ex-âncora da Fox News Tucker Carlson, que foi divulgada nesta sexta-feira, 9. A conversa girou em torno de temas óbvios, como a guerra na Ucrânia e as possibilidades de negociações de paz sobre o conflito, mas também abrangeu temas como o risco de uma Terceira Guerra Mundial e as ameaças da inteligência artificial.

Depois de transmitido o conteúdo, uma série de líderes ocidentais criticou tanto Putin quanto o jornalista que lhe deu os holofotes. Guy Verhofstadt, ex-primeiro-ministro belga e atual membro do Parlamento Europeu, disse que essa entrevista “é a melhor coisa que já aconteceu” ao líder russo.

“[Permitiram que ele espalhasse] mentiras sem contestação e sem filtro. É assim que as democracias morrem”, disparou.

A agência de notícias Reuters traduziu do russo para o inglês uma transcrição disponibilizada pelo Kremlin. A seguir estão alguns dos principais pontos da entrevista.

Ucrânia

Depois de Tucker Carlson fazer uma pergunta sobre a guerra no país vizinho, Putin desatou a palestrar por meia hora sobre a história da Rússia e da Ucrânia, que remonta ao início da história eslava em 862. Por isso, classificou o conflito como algo semelhante a uma “guerra civil”.

Ele revelou que ambos os lados do conflito quase concordaram com um acordo de paz negociado em Istambul, na Turquia, logo após o início da guerra em fevereiro de 2022. No entanto, segundo ele, o pacto foi rejeitado pela Ucrânia a pedido do Ocidente – especificamente de Boris Johnson, então primeiro-ministro britânico.

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“Não seria melhor chegar a um acordo com a Rússia? Concordar, entendendo a situação que está hoje, entendendo que a Rússia lutará pelos seus interesses até o fim, e, entendendo isso, realmente voltar ao bom senso, começar a respeitar nosso país, os seus interesses e procurar algumas soluções?”, questionou Putin. “Estamos prontos para este diálogo”, completou.

O chefe do Kremlin também questionou por que os Estados Unidos precisavam gastar tanto para armar a Ucrânia.

“Os Estados Unidos precisam disso? Por quê? Está a milhares de quilômetros de seu território! Você não tem mais nada para fazer?”, Putin disse, lançando acusações de haver mercenários dos Estados Unidos, Polônia e Geórgia lutando pela Ucrânia.

Otan e nova guerra global

Putin voltou a dizer que o mundo ocidental, por meio da expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), está tentando construir uma narrativa a respeito de uma ameaça russa. Segundo ele, a Rússia, após a queda da União Soviética em 1991, queria fazer parte da família dos “povos civilizados”, mas isso foi impedido pela aliança militar ocidental.

Nesta sexta, Rishi Sunak, o primeiro-ministro britânico, classificou como “claramente ridícula” a afirmação de que a guerra na Ucrânia foi resultado da expansão da Otan.

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O líder russo também falou que só atacaria a Polônia ou a Letônia, nações vizinhas que temem ser as “próximas Ucrânias”, se elas atacassem primeiro. A Rússia, disse ele, não tem interesses nesses locais, nem no resto do continente europeu. Além disso, negou as acusações de que a Rússia teria usado armas nucleares tácticas na Ucrânia.

“Você não precisa ser algum tipo de analista para saber que isso contradiz o bom senso – envolver-se em algum tipo de guerra global. Uma guerra global levaria toda a humanidade à beira da extinção”, Putin disse.

Ele também acusou a CIA de ter explodido os gasodutos do complexo Nord Stream, que levavam combustível da Rússia à Europa. “A CIA não tem álibi”, alegou.

Inteligência artificial e novas armas

O presidente russo enfatizou que o mundo estava mudando rápido, mais até do que durante o colapso do Império Romano. Ele referia-se aos avanços na pesquisa genética e na inteligência artificial, e disse que os geneticistas poderiam criar um “super-homem”, brincando que o bilionário Elon Musk já havia colocado um chip no cérebro humano.

Putin enfatizou, porém, que a humanidade precisava pensar melhor sobre os avanços na genética e na inteligência artificial. Ele sugeriu que os tratados de controle de armas nucleares da Guerra Fria poderiam ser um modelo para as regras.

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“Quando surgir a compreensão de que o desenvolvimento ilimitado e descontrolado da inteligência artificial, da genética, ou de algumas outras tendências modernas não pode ser interrompido, tal como era impossível esconder a pólvora da humanidade… quando a humanidade sentir uma ameaça para si mesma, então, parece-me, chegará um período para negociar a nível interestatal sobre como iremos regular isto”, disse ele.

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