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UA está disposta a contribuir com força regional na RD do Congo

Por Da Redação - 15 jul 2012, 11h42

A União Africana (UA) disse estar disposta a criar uma força regional para neutralizar os “grupos armados” no leste da República Democrática do Congo, no início neste domingo de uma cúpula marcada por uma disputa para dirigir o órgão executivo da UA.

A UA “está disposta a contribuir para a criação de uma força regional para colocar fim definitivamente às ações dos grupos armados” no leste da República Democrática do Congo, disse neste domingo o presidente da Comissão da UA, Jean Ping.

Ping fez estas declarações durante a abertura desta cúpula da UA em Adis Abeba.

Nos últimos meses, os rebeldes do Movimento de 23 de Março repeliram o exército da República Democrática do Congo no leste do país.

Um relatório da ONU acusa Ruanda de apoiar os insurgentes, o que Kigali desmente.

Os presidentes de ambos os países, o congolês Joseph Kabila e o ruandês Paul Kagame, participam do encontro de Adis Abeba e não se descarta que se reúnam para tentar superar a crise.

Outros dois presidentes de países que têm relações muito tensas, os de Sudão e Sudão do Sul, foram aplaudidos pelos presentes na sala quando apertaram as mãos.

Os presidentes dos dois países já se reuniram por uma hora em um hotel da capital etíope na noite de sábado. O encontro foi o primeiro entre Salva Kiir (Sudão do Sul) e Omar al-Bashir (Sudão) depois dos violentos combates fronteiriços entre seus exércitos há menos de três meses.

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A UA também exigiu em Adis Abeba uma aceleração da transição política no Mali, onde os insurgentes islamitas ameaçam a integridade do país.

Na preparação para a cúpula, o Conselho de Paz e Segurança (CPS) da UA pediu no sábado “o fim das interferências inaceitáveis da junta militar (do Mali) e de seus baluartes civis na gestão da transição, e a dissolução efetiva” da junta, que tomou o poder no dia 22 de março em Bamako.

Por sua vez, prevê-se que a cúpula esteja dominada pela eleição ao posto chave de presidente da comissão da organização.

Os chefes de Estado devem escolher entre o presidente atual da comissão, o gabonês Jean Ping, e a ministra sul-africana do Interior, Nkosazana Dlamini-Zuma, para tentar acalmar as tensões, depois de não conseguir eleger nenhum destes dois candidatos em uma cúpula anterior do ano passado.

“Em janeiro passado fracassamos”, lembrou neste domingo durante o encontro o presidente de Benin, Boni Yayo, que ocupa o cargo honorífico de presidente da UA.

“Unidos encontraremos uma solução. Qualquer novo fracasso significará a divisão do continente”, acrescentou o presidente da União.

Após três votações levemente favoráveis a Ping, Dlamini-Zuma se viu obrigada pelo regulamento a retirar sua candidatura. No entanto, Ping, ex-homem de confiança do ex-presidente gabonês Omar Bongo e único candidato em disputa na ocasião, não alcançou a maioria dos dois terços necessária.

No fim do encontro, os presidentes optaram por um compromisso e deixaram Ping e sua equipe encarregados de administrar os assuntos até a cúpula iniciada neste domingo.

Se esta situação prosseguir, “prejudicará a imagem e a credibilidade da União e de seus membros”, disse o presidente da UA.

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