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Twitter remove milhares de contas chinesas acusadas de ‘desinformação’

Rede social deletou mais de 170.000 perfis "altamente engajados" em disseminar ou impulsionar informações falsas pró-Partido Comunista

Por Da Redação Atualizado em 11 jun 2020, 20h42 - Publicado em 11 jun 2020, 20h31

Um dia depois de ser acusada pela Comissão Europeia de promover campanhas de desinformação, a China foi alvo de denúncias idênticas por parte do Twitter nesta quinta-feira, 11. A rede social identificou que dezenas de milhares de contas falsas foram criadas no país asiático nos últimos dias para defender o Partido Comunista em relação aos protestos em Hong Kong e à condução da pandemia de coronavírus.

O Twitter informou que removeu 23.750 contas “altamente engajadas” em disseminar informações falsas e outras 150.000 dedicadas a impulsionar as mensagens com curtidas e retuítes. As contas foram descobertas logo após serem criadas e geralmente não eram “sofisticadas o suficiente para convencer de que eram operadas por pessoas reais”, informou a rede social.

Segundo o Twitter, o fato de a rede social ser oficialmente bloqueada na China leva a crer que a campanha de desinformação tenha ocorrido com aprovação do governo. O país asiático, mais conhecido por realizar campanhas de propaganda nos meios de comunicação oficiais do Estado, parece estar, portanto, se aperfeiçoando no uso das redes sociais, estratégia mais comumente associada a países como Rússia, Irã e Turquia. No ano passado, Twitter, Facebook e Google já haviam anulado contas chinesas suspeitas.

As denúncias contra a China vem crescendo dia após dia. O país, que ao contrário de diversas nações da Europa, além de outras como Brasil e Estados Unidos, conseguiu controlar a pandemia com rapidez e eficiência segundo os dados oficiais, vem sendo constantemente acusada de desinformar tanto por ação, com propaganda falsa, quanto por omissão, ao esconder informações relevantes e não cooperar com as outras nações.

  • Na última terça-feira 9, uma pesquisa da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos apontou que o coronavírus pode ter começado a se espalhar ainda em agosto do ano passado, meses antes das documentações oficiais. A pesquisa usou imagens de satélite de estacionamentos de hospitais de Wuhan — cidade onde a doença foi identificada no final de 2019 — e dados de pesquisas de sintomas relacionados, como “tosse” e “diarreia”, em sites de busca. A China refutou o relatório, que classificou como “ridículo”.

    O estudo, no entanto, corroborou as contantes contestações sobre a demora chinesa em informar as autoridades sobre a gravidade da situação. Registros de reuniões da Organização Mundial da Saúde (OMS) recentemente divulgadas pela agência Associated Press mostraram que a organização reclamou internamente da postura do país asiático ainda em janeiro deste ano. O presidente americano Donald Trump é o crítico mais recorrente do governo do presidente Xi Jinping.

    O próprio Trump, porém, vem se desentendendo com o Twitter, sua rede social preferida. Recentemente, conteúdos postados pelo presidente dos Estados Unidos foram sinalizados pela rede social comandada por Jack Dorsey como falsos ou nocivos por “enaltecimento à violência”. A questão levantou debates quanto à liberdade de expressão e revoltou Trump. No fim de março, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro também teve posts deletados por violar as normas da rede social.

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