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Turquia volta a bombardear a Síria em represália por ataque

País tem revidado ataques desde o início do mês, quando cinco foram mortos

A artilharia da Turquia bombardeou nesta quarta-feira o território sírio em represália a um novo ataque que atingiu o solo turco a poucos metros da fronteira. Não há informações sobre vítimas, mas houve incêndio no local atingido por um obus (munição lançada por morteiro), na aldeia de Hacipasa.

Nas últimas semanas, várias bombas caíram na mesma área, na faixa oriental da província turca de Hatay, enquanto outros atingiram a periferia de Akcakale, na província de Sanliurfa. Um ataque a Akcakale, no dia 3 de outubro, deixou cinco cidadãos turcos mortos. Desde então, a Turquia passou a responder a todos os ataques ao seu território.

Diplomacia – Na terça-feira, a Turquia, que vive uma crise diplomática com o regime sírio, ao mesmo tempo em que abriga dezenas de milhares de refugiados, apoiou uma proposta do mediador internacional Lakhdar Brahimi de uma trégua temporária na Síria durante o Eid al-Adha, festa muçulmana que começará no próximo dia 26. O Irã, aliado de Assad, também apoiou a proposta.

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“Enfatizamos que seria melhor se os países com um interesse primordial na crise, como Egito, Arábia Saudita e Rússia, fizessem também apelos para o cessar-fogo”, disse na terça-feira em Ancara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Os rebeldes sírios, no entanto, dizem preferir um cessar-fogo permanente no país a uma trégua temporária. Nós não rejeitamos e nem aceitamos a trégua de Brahimi porque ainda não fomos comunicados sobre essa iniciativa de forma oficial, assim como não fomos informados sobre suas garantias”, afirmou o ‘número dois’ do Exército Livre Sírio (ELS), Malek Kurdi, que dirige as facções em Idlib e Alepo. Kurdi ressaltou que o Eid al-Adha já não é uma festa para os sírios, porque, “apesar de haver um cessar-fogo, a única coisa que os sírios vão fazer será visitar os túmulos de seus mártires”.

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O dirigente rebelde afirmou que o ELS “está de acordo com um cessar-fogo permanente para assegurar as reivindicações do povo sírio e também a renúncia do regime de Bashar Assad”. Segundo ele, há dúvidas sobre se o regime de Damasco aplicaria a trégua temporária. “O regime considera que qualquer iniciativa de trégua é uma autorização para mais assassinatos”, afirmou Kurdi, que assegurou que os ataques seguem intensos em Idlib, Alepo, Homs e na periferia de Damasco.

A aceitação da trégua por parte dos rebeldes sírios também se mostra incerta, já que há diferentes ideologias entre os grupos que compõem o ELS.

PKK – Com a escalada do conflito entre Turquia e Síria, os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) ameaçaram nesta quarta-feira retaliar qualquer ataque contra os curdos. “A Turquia deveria ficar fora desse conflito e parar com as intrigas”, disse o número dois do grupo, Murat Karayilan.

O PKK, considerado um grupo terrorista por Ancara, EUA e União Europeia (UE), armou-se em uma região nordeste da Turquia com maioria curda em 1984, iniciando um conflito que já matou 45.000 pessoas.

(Com agências EFE e France-Presse)