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Turquia responde a novo disparo sírio atacando o Exército

ONU teme agravamento no conflito entre os dois países. Damasco denunciou Ancara por ter proposto um período de transição dirigido pelo atual vice da Síria

Por Da Redação - 8 out 2012, 15h13

A Turquia respondeu a um novo disparo sírio nesta segunda-feira, atacando posições das forças do regime do ditador Bashar Assad. A ONU passou a temer uma escalada da violência entre os dois países. Com a nova resposta turca, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que a situação na Síria tem piorado “de maneira dramática” e representa “sérios riscos” para a estabilidade dos vizinhos para toda a região. Damasco denunciou Ancara por ter proposto um período de transição dirigido pelo atual vice-presidente sírio Farouk al-Chareh, que substituiria Assad.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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“A Turquia respondeu nesta segunda-feira a um disparo sírio que atingiu o território turco por volta das 15 horas (9 horas em Brasília) no distrito de Altinozu, na província de Hatay (sudeste da Turquia)”, declarou um oficial turco. Desde o bombardeio da aldeia turca de Akcakale, na última quarta-feira, que matou cinco civis turcos, Ancara responde imediatamente aos disparos sírios. Mais cedo, as tropas de Assad também bombardearam redutos rebeldes em Alepo (norte) e na cidade de Karak al-Sharqi, na província de Deraa, cercada há três dias pelas forças do regime, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

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Ban Ki-moon advertiu para o perigo da escalada do conflito na fronteira entre Síria e Turquia. “A escalada do conflito na fronteira entre Síria e Turquia e o impacto da crise no Líbano são extremamente perigosos”, afirmou em Estrasburgo. O secretário também pediu aos colaboradores “mais generosidade” para ajudar a Síria, mergulhada em uma guerra civil há 18 meses. “Com a aproximação do inverno, precisamos que os doadores respondam de maneira mais generosa às necessidades da população na Síria e aos de mais de 300.000 refugiados nos países vizinhos”, acrescentou o chefe da ONU.

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Diplomacia – Em Damasco, o ministro da Informação, al-Omran Zohbi, denunciou a proposta turca sobre a transição na Síria. “O que (o ministro truco das Relações Exteriores Ahmt) Davutoglu disse reflete um embaraço e um mal-estar político e diplomático flagrantes”, considerou. “Nós não estamos mais no tempo do Império Otomano. Recomendo que o governo turco abra mão do poder em favor de personalidades aceitáveis para o povo turco”, disse o ministro da Síria. No plano diplomático, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, voou para Moscou para abordar o conflito na Síria.

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Moscou, um aliado do regime sírio, e Bagdá pedem regularmente por uma solução política para o conflito e se recusam a exigir a saída de Assad. A Rússia vetou no Conselho de Segurança da ONU três resoluções para sancionar Damasco. O conflito foi desencadeado em março de 2011 pela sangrenta repressão de uma contestação popular pacífica e fez mais de 31.000 mortes, segundo o OSDH. O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão de oposição, também anunciou que se reunirá na próxima semana em Doha para tentar se unir a outros grupos hostis ao regime de Damasco. O CNS tem sido repetidamente criticado por sua incapacidade de unificar a oposição síria.

Guerra civil na Síria – Em uma ofensiva lançada pelo Exército na região de Deraa (sul), vinte pessoas morreram em Karak al-Sharqi, segundo o OSDH. Ao menos cinco rebeldes estão entre as vítimas. Em Damasco, as forças do regime realizam uma “campanha de destruição de casas” nos bairros de Qaboun e Barzé, acompanhadas por um movimento de êxodo da população, de acordo com o OSDH, que se baseia em uma ampla rede de ativistas e médicos. Perto da capital, bombardeios tiveram como alvo Douma, segundo o OSDH, que indicou a descoberta dos corpos de cinco membros de uma mesma família na cidade de Qoudsaya, a noroeste da capital.

O Exército sírio ainda lançou uma ofensiva sem precedentes para esmagar o reduto rebelde de Homs e tomar a cidade insurgente de Qousseir, no centro da Síria, indicaram fontes envolvidas no conflito. “O Exército tenta limpar os últimos bairros rebeldes de Homs”, afirmou uma fonte dos serviços de segurança sírios. Pulmão industrial da Síria, Homs foi batizada pelos opositores “capital da revolução” por ter sido a vanguarda da onda de contestação contra o regime de Bashar Assad. “O Exército também limpou as aldeias em torno de Qousseir e tenta agora tomar a cidade”, acrescentou esta fonte.

(Com agência France-Presse)

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