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Turquia realiza neste domingo eleições-chave para seu futuro

Se reeleito, Recep Erdogan promete concentrar o Poder Executivo, governar "sem restrições" e retomar a grandeza otomana; oposição quer detê-lo nas urnas

Por Da Redação 24 jun 2018, 08h00

As eleições presidenciais e legislativas na Turquia neste domingo (24) serão, provavelmente, as mais importantes para o país neste século. Não decidirão apenas o mapa político para os próximos cinco anos, como também podem vir a definir uma mudança substancial na forma de governo.

Como espera o atual presidente, Recep Tayyip Erdogan, com grandes chances de reeleição, o país eliminará a figura do primeiro ministro, e o poder será concentrado no Complexo Presidencial.

O partido de Erdogan, Justiça e Desenvolvimento (AKP), governa o país desde 2002 e promete, se vitorioso neste domingo, remodelar profundamente o sistema de governo para criar uma “nova Turquia” e trazer de volta a grande otomana do passado. Esse novo sistema foi esboçado em reforma constitucional do ano passado, mas ainda não está plenamente em vigor.

A oposição, por sua vez, promete desfazer as mudanças constitucionais e recuperar o papel do Parlamento, como centro do Poder Legislativo determinante para formação do Poder Executivo. Hoje, serão eleitos os 600 deputados do Parlamento turco e, em uma cédula separada, o presidente do país.

As eleições estavam previstas para novembro de 2019, mas foram antecipadas por uma decisão surpreendente de Erdogan, em abril passado. Desde então, a campanha eleitoral na Turquia se concentra sobretudo na figura do presidente, e o eleitorado se divide “com ele ou contra ele”.

Pesquisas

As pesquisas eleitorais mais recentes indicam que Edorgan teria aproximadamente 50% dos votos. Seu partido AKP, coligado com o  direitista Movimento de Ação Nacionalista (MHP), teria 40% dos votos no Parlamento. Mas provavelmente não alcançará a maioria das cadeiras.

Se o presidente não conquistar 50% dos votos mais um, terá de enfrentar em segundo turno no dia 8 de julho. Para esse caso, o adversário mais próximo de disputar o segundo turno é o social-democrata Muharrem Ince, candidato do Partido Republicano do Povo (CHP), que aparece nas pesquisas com intenções de votos de entre 20% e 30%, assim como o CHP para o Parlamento.

Em terceiro lugar aparece o Partido IYI, uma dissidência do MHP dirigida por Meral Aksener, ex-ministra do Interior, a quem as pesquisas indicam de 10% a 20% dos votos.

Os candidatos

Seis candidatos disputam a eleição presidencial deste domingo. O atual presidente é o favorito para um novo mandato à frente do país que dirige desde 2003, inicialmente como primeiro-ministro e depois como presidente.

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Muharrem Ince, um ex-professor de Física, tornou-se a surpresa da campanha eleitoral graças à sua tenacidade e a seu estilo combativo. Adepto dos discursos veementes, mostrou-se um rival de peso para Erdogan, capaz de incomodar o presidente turco.

Meral Aksener foi a primeira política da oposição a anunciar sua candidatura. Sua entrada em cena representou uma reviravolta no estagnado panorama político-ideológico turco porque seu desafio tem sido tirar uma parcela significativa de votos da aliança AKP-MHP, de centro-direita.

Essa movimentação foi apontada como um dos motivos para Erdogan ter adiantado as eleições em quase um ano e meio. Quanto mais tempo Meral Aksener tivesse de campanha, maiores suas chances de conquistar um eleitorado que, neste momento, pende para Erdogan.

Embora Ince e Aksener tenham apresentado candidaturas separadas, seus partidos formaram a coalizão Millet (Nação), que segundo as pesquisas terá praticamente a mesma porcentagem da Cumhur (Público), a aliança entre AKP e MHP. A coalizão Millet tem ainda o apoio do minúsculo Saadet, um partido islâmico.

Além desses dois rivais de peso, o  esquerdista Partido Democrático dos Povos (HDP), conhecido por sua defesa dos direitos da população curda, provavelmente conseguirá superar os 10% no Parlamento. Seu candidato à Presidência, Selahattin Demirtas era até o ano passado co-presidente do partido e faz sua campanha de dentro do presídio de segurança máxima de Edirne, onde está detido “provisoriamente” desde novembro de 2016 por supostos vínculos com a guerrilha curda PKK.

O HDP anunciou que, em um hipotético segundo turno das presidenciais, dará seu apoio ao candidato que enfrentar Erdogan – seja Ince ou Meral. Não à toa, Erdogan está colocando todas as suas fichas em uma vitória absoluta no primeiro turno. O risco de seua derrota em 8 de julho está nos cenários.

Os outros candidatos, Temel Karamollaoglu, do Partido da Felicidade (islâmico-conservador), e Dogu Perinçek, do Partido Patriótico (esquerda), representam ameaças menores para Erdogan.

Governabilidade

O cenário mais provável, em caso de vitória de Erdogan, será de uma convivência bastante difícil de seu governo com o Parlamento, dominado certamente pela oposicão. Erdogan, entratnto, não chegará a estar bloqueado pelo Legislativo.

Desde a reforma constitucional de 2017, o plenário do Parlamento praticamente não tem prerrogativas para interferir no trabalho do Executivo.

Enquanto Erdogan pede votos para poder governar “sem restrições” e devolver à Turquia a grandeza da época otomana, a oposição alerta para o perigo do “regime de um homem só” e se reúne em torno de um objetivo único: conter o atual presidente.

(Com EFE e AFP)

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