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Turquia: Premiê garante que nova Constituição vai manter Estado laico

Comentário de Ahmet Davutoglu é uma resposta à declaração controversa do presidente do Parlamento, que defendeu uma Carta Magna religiosa

O projeto de Constituição que está sendo elaborado pelo partido conservador-islâmico que governa a Turquia manterá o princípio de laicidade, afirmou o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu nesta quarta-feira. O comentário do premiê turco é uma resposta à declaração controversa do presidente do Parlamento, Ismail Kahraman, que defendeu uma Carta Magna religiosa.

“Na nova Constituição que estamos preparando, vai figurar o princípio de laicidade para garantir a liberdade de culto dos cidadãos e para assegurar que o Estado mantenha a mesma distância de todos os grupos religiosos”, afirmou Davutoglu durante um discurso público em Ancara. O premiê disse que o caráter laico e democrático da Turquia “não será questionado” enquanto o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2002, governar o país.

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No início da semana, Kahraman provocou um sinal de alerta sobre uma eventual intenção do AKP de islamizar o país. “A nova Constituição não deveria conter uma definição do laicismo. Só França, Irlanda e Turquia têm constituições que definem o laicismo. Nossa Constituição não deveria fugir da religião. Somos um país muçulmano”, disse. Embora seja um país de maioria muçulmana, a república turca é um Estado laico.

As declarações de Kahraman provocaram protestos nas principais cidades da Turquia na terça-feira. A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes em Ancara e Istambul.

Opinião pessoal – O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, se distanciou ontem das declarações do presidente do Parlamento e defendeu que o país siga sendo um Estado laico. Erdogan disse que Kahraman expressou pontos de vista pessoais e não os do AKP. Desde que chegou ao poder em 2002, o partido fundado por Erdogan é acusado por seus críticos de querer islamizar a sociedade turca.

(Com agências EFE e AFP)