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Turquia bloqueia Twitter após ameaça de primeiro-ministro

Alvo de denúncias publicadas na internet, Recep Erdogan havia dito mais cedo que pretendia arrancar rede social "pela raiz"

A direção de telecomunicações da Turquia bloqueou nesta quinta-feira o acesso ao Twitter, horas depois de o primeiro-ministro do país, Recep Erdogan, ter prometido em um comício eleitoral que pretendia “erradicar” a rede social.

Alvo de denúncias por suspeita de corrupção, Erdogan realizou nas últimas semanas vários ataques verbais contra redes como o Twitter, o Facebook e o YouTube, que vêm veiculando acusações contra seu governo feitas por usuários em áudios e textos.

O bloqueio do Twitter foi efetivado à meia-noite local (19 horas de Brasília). Usuários que conseguiram burlar o bloqueio comentaram imediatamente a ação na própria rede usando a hashtag #TwitterisblockedinTurkey (Twitter bloqueado na Turquia).

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O site oficial da direção de telecomunicações destacou que o Twitter estava bloqueado por ordem do Ministério Público de Istambul. De acordo com a rede BBC, o governo turco informou que a proibição foi necessária porque os administradores do Twitter não obedeceram ordens judiciais que determinavam a retirada de alguns links.

Erdogan havia ameaçado tomar tal medida na tarde desta quinta-feira. “Arrancaremos o Twitter e as outras redes pela raiz. Não importa o que a comunidade internacional possa dizer”, anunciou Erdogan na cidade turca de Bursa, onde realizou um comício antes das eleições municipais que estão marcadas para 30 de março.

No cargo desde 2002, Erdogan tem observado seu poder ser desestabilizado por acusações de corrupção que surgiram no ano passado. Nas últimas semanas, a situação se agravou depois que apareceram na internet diversas gravações em que uma voz atribuída ao primeiro-ministro discute com membros do seu círculo. Em algumas dessas conversas, as vozes discutem temas como a transferência de grandes somas de dinheiro, o tráfico de influência e a interferência em decisões judiciárias.

Erdogan diz que as gravações foram forjadas. Ele acusa seu ex-aliado, o clérigo muçulmano Fetulah Gülen, que vive nos Estados Unidos, de ter promovido uma conspiração para desestabilizá-lo antes das eleições municipais e das presidenciais.