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Turista brasileira presa no Peru: ‘Situação desesperadora’

Nacionais se vêm sem meios de retornar nem de hospedagem desde que o governo peruano proibiu entrada e saída de pessoas do país e a circulação nas ruas

Por Amanda Péchy - Atualizado em 18 mar 2020, 16h57 - Publicado em 18 mar 2020, 16h31

Quando o presidente do Peru, Martín Vizcarra, proibiu a entrada e saída de pessoas do país no domingo 15, como parte das medidas de emergência para conter a epidemia de coronavírus que vigorarão por 15 dias, deixou mais de 3.700 brasileiros sem ter como voltar ao Brasil. “A situação está desesperadora. Hoje não temos mais dinheiro para almoçar porque nossos soles peruanos acabaram e não estão mais passando cartões”, relatou a VEJA Kati Pinheiro, designer que está em Cusco com o marido desde o dia 9 de março e que deixou os filhos em Porto Alegre (RS).

Os casal tinha um voo marcado para a segunda-feira 16 para retornar ao Brasil, que foi cancelado para cumprir a determinação do governo no dia anterior. Os Pinheiro ainda negociaram a permanência no hotel onde estavam hospedados por metade da diária regular. Mas Kati reconhece que nem todos os turistas tiveram a mesma sorte. “Há hotéis fechando e colocando os hóspedes para fora. Depois, os policiais enxotam as pessoas da rua. Para onde devemos ir?”

O governo do Peru conta com o Exército para bloquear as principais vias do país e com a polícia para restringir o movimento dentro das cidades para cumprir a regra de isolamento social. “Parece que estou vivendo em uma ditadura”, completa a designer.

Os turistas brasileiros queixam-se de não estar recebendo apoio suficiente da embaixada e dos consulados. O Peru autorizou na terça-feira 17 a retirada de estrangeiros ilhados, mas eles só poderão sair do país através de repatriação. O Itamaraty informa estar em negociação com as companhias aéreas para retomarem os voos suficientes para trazê-los de volta.

“A informação chega até nós incompleta. Depois do anúncio do Peru, a Latam disponibilizou voos. Compramos uma passagem por 900 dólares, mas o voo desapareceu um segundo depois. Ficamos sem saber o que fazer de novo”, diz o empresário Lucas Magalhães, de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Ele e o amigo, que estavam hospedados em um hotel em Cusco desde 6 de março, conseguiram alugar uma casa através do Airbnb após a declaração de estado de emergência. Os dois iniciariam uma caminhada para Machu Picchu na segunda-feira 16, depois fariam uma escala na capital Lima para voltar ao Brasil no domingo, 22.

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“Agora, tudo está fechado. Não podemos sair na rua e estamos estocando comida. Muitos brasileiros estão sem hospedagem, dormindo no aeroporto”, conta.

Segundo Magalhães, os turistas brasileiros receberam hoje um comunicado do Itamaraty, alegando uma possível colaboração entre as companhias aéreas e a Força Aérea Brasileira (FAB) para buscá-los no Peru. “Só não sei quando, nem como. Honestamente, duvido disso”, completa.

Na terça-feira 17, o Itamaraty informou via Twitter que está se articulando com as autoridades locais para promover o regresso dos brasileiros: “As embaixadas e repartições consulares do Brasil estão mobilizadas na assistência aos brasileiros que se encontrem no exterior e enfrentem dificuldades de regresso ao Brasil em função de restrições dos governos locais relacionadas ao #coronavírus”.

Na manhã desta quarta-feira, 18, o consulado brasileiro em Cusco estava fechado. Segundo o Itamaraty, os seus funcionários estão trabalhando de suas casas. O ministério orienta os que precisam se identificar ou que estejam sem situação de emergência ou de necessidade de ajuda que entrem em contato com os consulados no Peru por e-mail ou pelo telefone de plantão.

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