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Trump violou novamente termos do Twitter ao ‘enaltecer a violência’

Na rede social, o presidente ameaça usar força letal contra manifestantes inconformados com a morte do afroamericano George Floyd pela polícia

Por Da Redação Atualizado em 29 Maio 2020, 12h17 - Publicado em 29 Maio 2020, 11h50

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma de suas publicações no Twitter rotuladas como “enaltecimento da violência” após ter dito que a polícia poderia fazer o uso de armas letais contra manifestantes na cidade de Minneapolis. Os protestos contra a morte do afroamericano George Floyd nas mãos da polícia entraram no seu segundo dia consecutivo. A rede social disse que, embora a mensagem do presidente viole as políticas da empresa, não a apagou por considerá-la de interesse público.

“Esses bandidos estão desonrando a memória de George Floyd, e eu não vou deixar que isso ocorra. Acabei de falar com o governador Tim Walz e disse a ele que o Exército está a caminho. Em qualquer dificuldade nós assumiremos o controle, mas quando a pilhagem começa, os tiros começam“, disse o presidente.

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O tuíte de Trump foi sobreposto por uma mensagem da rede social explicando o porquê do texto violar suas regras. A empresa deixou ao usuário a opção de ler ou não o que o presidente escreveu, mas o leitor não poderá nem curtir ou comentar, somente compartilhar a publicação.

Segundo o jornal The New York Times, a sentença “quando a pilhagem começa, os tiros começam” ressoa um comentário feito pelo chefe da polícia de Miami, Walter E. Headley, em 1967, quando justificou o uso de armas letais, cães e brutalidade policial para combater o crime em bairros negros. “Não temos tido problemas sérios com protestos e pilhagens”, disse, “por que já deixei avisado que quando a pilhagem começa, o tiroteio se inicia”.

A fala de Headley ocorreu apenas três anos depois da promulgação das leis de Direitos Civis, que acabaram com a segregação dos negros no país, apesar de o racismo persistir até os dias de hoje.

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Na segunda-feira 25, George Floyd, afrodescendente de 40 anos, foi morto ao ser sufocado por um policial branco que já o havia detido e imobilizado. O vídeo de sua morte, no qual Floyd suplica por sua vida ao dizer “não consigo respirar”, viralizou na internet e deu início a uma série de protestos em sua cidade natal. Inicialmente pacíficas, as manifestações acabaram em incêndios e pilhagens, enquanto o governo estadual ainda estuda se irá ou não levar o agora ex-policial à Justiça.

  • Trump versus Twitter

    Esta é a segunda vez que o Twitter rotula uma publicação de Trump por violações de seu código de conduta. Na terça-feira 26, a rede social identificou desinformação em um texto de Trump contra a votação por correio nas eleições americanas e adicionou um link no tuíte para uma nova página, na qual jornalistas dos mais diversos meios de comunicação realizaram a checagem de fatos.

    O presidente não gostou nem um pouco e acusou o Twitter de tentar interferir nas eleições ao suprimir vozes conservadores e atentar contra a liberdade de expressão, garantida na Primeira Emenda da Constituição americana. No entanto, a rede social não censurou a mensagem, que continua no ar até esta sexta-feira.

    Como retaliação, o presidente americano assinou um decreto para retirar proteções judiciais das redes sociais. Agora, Twitter, Facebook e outras gigantes do ramo podem ser responsabilizadas judicialmente pelo conteúdo criado pelos usuários das plataformas, o que abriria margem para a censura do Estado.

    Contudo, Trump disse saber que seu decreto é frágil, porque altera uma lei criada pelo Congresso, o único poder com competência para alterar o texto. “Imagino que ela será contestada”, afirmou o presidente.

    Enquanto as preocupações do presidente estavam voltadas a uma rede social, as mortes por Covid-19 batiam a cifra de 100.000 pessoas na quarta-feira 27. Uma nota de pesar de Trump veio a público somente na quinta-feira 28, dia em que assinou o decreto para retaliar as redes sociais.

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