Trump sugere rebatizar lago canadense como ‘Lago América’ em meio a disputa comercial
Alfinetada mais recente vem após anúncio de novas tarifas de 50% sobre produtos automotivos canadenses
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, postou um mapa nas redes sociais nesta terça-feira, 25, em que o Lago Ontário, no sul do Canadá, aparece rebatizado como “Lago América”, em meio a uma disputa comercial com o país vizinho.
Não foi a primeira sugestão nada sutil de que Washington teria poder e influência sobre Ottawa. No passado, Trump se referiu ao Canadá como o “51º estado americano”, enquanto chamou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, de “governador”. Em afronta a outro tradicional parceiro comercial, ele também já ordenou a renomeação do Golfo do México como “Golfo da América”.
A nova alfinetada vem um dia depois de o mandatário americano anunciar que aumentaria para 50% as tarifas sobre uma série de produtos automotivos canadenses — incluindo carros, caminhões e até aço — a partir de 2027. Atualmente, automóveis do Canadá estão sujeitos a uma taxa de 25% quando atravessam a fronteira sul, caso não incluam nenhum material dos Estados Unidos em sua fabricação. As importações de aço já têm, no geral, alíquotas de 50%.
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Os dois países não chegaram a um acordo comercial na última sexta-feira, 21. Como consequência, Washington já havia anunciado uma tarifa de 50% sobre parte das importações provenientes do Canadá – a nova cobrança atinge aproximadamente US$ 20 bilhões e representa 5,5% das exportações canadenses destinadas ao mercado americano.
Retaliação
Carney, por sua vez, declarou que as negociações foram suspensas e que Ottawa pretende responder à medida na mesma proporção. A retaliação, prevista para 8 de setembro, deve atingir setores como aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos.
Segundo ele, os negociadores canadenses trabalharam para preservar os interesses do país, mas mudanças apresentadas pelos Estados Unidos na reta final das conversas tornaram os termos propostos economicamente inviáveis e colocaram em dúvida a possibilidade de um acordo confiável.
A decisão foi tomada após três dias de reuniões em Washington entre o ministro canadense responsável pelas relações comerciais com os EUA, Dominic LeBlanc, e o representante comercial americano, Jamieson Greer. Embora as novas tarifas atinjam uma parcela relativamente pequena das exportações do Canadá, elas se somam a taxas já aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos como aço, madeira e automóveis.
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As novas cobranças também valem para mercadorias que poderiam ter tratamento preferencial no âmbito do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá. A medida aumenta a pressão sobre a economia canadense, que atravessa uma recuperação considerada frágil, e pode dificultar as negociações mais amplas entre os dois vizinhos para definir os próximos termos da relação comercial.
Trump aumentou a pressão neste domingo em uma publicação na rede Truth Social. “O Canadá quer os benefícios de ser um estado, sem ser um”, escreveu. O presidente também acusou o vizinho de cobrar tarifas elevadas dos agricultores americanos.







