Trump sugere que pode deixar de apoiar Inglaterra na disputa pelas Ilhas Malvinas
Arquipélago no Atlântico Sul é administrado pelos britânicos como território ultramarino, mas reivindicado pela Argentina — com mais barulho sob Milei
O presidente americano, Donald Trump, afirmou, na segunda-feira 31, que está reavaliando a tradicional posição dos Estados Unidos sobre a disputa pela soberania das Ilhas Malvinas, arquipélago no Atlântico Sul administrado pelo Reino Unido como um território ultramarino e reivindicado pela Argentina.
“Eu sempre reavalio todas as posições. Essa é apenas uma entre muitas”, declarou ele a repórteres no Salão Oval.
Embora Washington mantenha, oficialmente, uma postura de neutralidade em relação à contenda, o governo americano reconhece, na prática, a administração britânica do território. Uma mudança nessa política representaria um duro golpe diplomático ao Reino Unido e poderia abalar a tradicional relação entre os dois países.
A declaração do presidente americano veio após relatos de que John Healey, o chanceler britânico, estava se preparando para anunciar que o país voltaria atrás em um compromisso de reservar 3% de seu PIB para gastos militares até 2030. Trump tem insistido que os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aumentem seus orçamentos de defesa, acusando países europeus de dependerem excessivamente da proteção oferecida pelos Estados Unidos.
Disputa pelas Malvinas
Reino Unido e Argentina carregam uma relação marcada pela Guerra das Malvinas, conflito de 1982 pela soberania das ilhas no Atlântico Sul. A guerra terminou em 14 de junho de 1982 com a rendição argentina. O conflito deixou 649 argentinos e 258 britânicos mortos, além de milhares de feridos e prisioneiros.
Na época, os Estados Unidos, liderados pelo presidente Ronald Reagan, ofereceram forte apoio diplomático a Londres, apesar de Washington também manter relações com a ditadura militar sul-americana.
As ilhas, chamadas de Falklands pelos britânicos, têm cerca de 11.700 quilômetros quadrados e ficam a aproximadamente 600 quilômetros da costa argentina. O território tem importância estratégica pelo potencial de exploração de petróleo e outros recursos naturais na região.
A Argentina, liderada por Javier Milei, aliado de Trump, continua reivindicando a soberania sobre as Malvinas, enquanto o Reino Unido argumenta que a vontade da população local deve ser respeitada. Em um referendo realizado em 2013, 1.513 dos 1.517 eleitores que participaram da votação defenderam a permanência do território sob administração britânica.
O tema voltou aos holofotes durante a Copa do Mundo, em julho. Após a vitória da Argentina sobre a Inglaterra no torneio, jogadores argentinos celebraram exibindo uma faixa com a frase “Las Malvinas son Argentinas” (“As Malvinas são argentinas”, em tradução livre).







