Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Trump sondou Temer sobre ação militar na Venezuela

Em 2017, presidente americano questionou Temer e outros líderes latino-americanos sobre se eles não queriam uma "solução militar" para a crise venezuelana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou ao presidente Michel Temer se ele tinha certeza que não queria uma solução militar para a crise da Venezuela. Foi num jantar ocorrido em setembro de 2017, em Nova York, na véspera da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Além de Temer, outros convidados eram o então presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, e a vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti. A mesma pergunta foi feita a todos, segundo relatou uma pessoa que estava presente. De todos, Trump ouviu que a opção militar estava totalmente fora de cogitação.

Segundo a fonte, a pergunta foi feita num momento em que a conversa seguia muito descontraída. Por isso, os convidados ficaram sem saber se ele estava falando sério ou brincando. Mesmo assim, os líderes latino-americanos foram muito claros ao rejeitar a ideia.

Oficialmente, o governo brasileiro nega que a abordagem tenha sido feita. “[Trump] Nunca falou com o presidente Temer sobre isso”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira.

Ele acrescentou que o tema tampouco foi levantado pelo vice-presidente americano, Mike Pence, nas reuniões que manteve no Palácio do Planalto e no Itamaraty em 26 de junho, quando esteve no Brasil. “E isso, para nós, está absolutamente fora de questão”, afirmou o chanceler. “Zero.”

Um mês antes do jantar em Nova York, Trump havia causado grande preocupação na região ao declarar publicamente que não descartava a possibilidade de adotar a “opção militar” para a Venezuela. Na ocasião, o governo brasileiro reagiu com dureza.

O Mercosul, que na época havia acabado de suspender a Venezuela, emitiu uma nota rechaçando o uso da força. Embora não tenha falado abertamente em uma ação militar quando esteve aqui no mês passado, Pence afirmou que o “colapso” na Venezuela é um problema de segurança coletiva da região. Isso foi dito ao lado de Temer, após uma referência à parceria entre o Brasil e os Estados Unidos na área de defesa e ao fato de que o Brasil possuir a segunda maior Força Armada do Hemisfério Ocidental.

As autoridades brasileiras não viram essa fala como um sinal na direção de uma intervenção militar conjunta. Até porque, segundo relatam, o tema não foi levantado nas reuniões a portas fechadas. Para o governo brasileiro, não se trata de um problema de segurança, e sim de um caso de ruptura com a ordem democrática. Daí as ações para suspender a Venezuela do Mercosul e da Organização dos Estados Americanos (OEA), em ambos os casos com base na cláusula democrática.

(Com Estadão Conteúdo)

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Marcos Santos

    Oh presidente intrometido esse Trump… Deus nos livre de um Bolsonaro, que seria bem capaz de aceitar tal intervenção tresloucada!

    Curtir

  2. Geldes Ronan Passos

    Noticia verdadeira ou não, tenho certeza de que a resposta desse governo de viés esquerdo-complacente não seria outra. Aproveitando, quero lembrar que a eleição do Trump levou a esqquerrddallha ao desespero. Diziam que ele é louco e que iria desestabilizar os EEUU, tanto política quanto economicamente, mas o Tio Sam está bombando. Por analogia, esquerdallha histérica, Bolsonaro vai trazer resultados semelhantes para nosso tão sofrido e surrupiado Brasil. Quando mais pirados vocês ficarem maiores os sinais de que estamos no caminho certo.

    Curtir