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Trump recusa convite para participar de audiência de impeachment

Advogados do presidente acusam a Câmara dos Deputados de conduzir processo injusto, mas não rejeitaram comparecer a sessões no futuro

Por Da Redação Atualizado em 30 jul 2020, 19h34 - Publicado em 2 dez 2019, 09h46

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus advogados não participarão da primeira audiência pública sobre o impeachment para a qual foram convidados pela Câmara dos Deputados, anunciou neste domingo 1º a Casa Branca.

Após dois meses de investigação, o Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados começa nesta quarta-feira 4 o debate jurídico para determinar se as alegações contra o presidente são suficientemente graves para justificar a abertura de um julgamento político.

Trump foi convidado a participar pessoalmente, por meio de seus advogados ou enviando perguntas escritas às testemunhas. Mas a Casa Branca rejeitou o convite.

“Não podem esperar que participemos de maneira justa em uma audiência quando as testemunhas ainda devem ser designadas e enquanto continua sem ser explicado se o Comitê Judicial permitirá ao presidente um processo justo por meio de audiências adicionais”, escreveu o advogado da Casa Branca, Pat Cipollone, em uma carta ao presidente do Comitê, Jerry Nadler.

“Sob as atuais circunstâncias não pretendemos participar em sua audiência de quarta-feira. Mas se realmente decidirem fazer um processo justo no futuro, poderíamos avaliar participar”, completou.

Trump está no meio de uma tempestade política porque pediu à Ucrânia uma investigação sobre Joe Biden, um de seus potenciais adversários na eleição presidencial de 2020 e cujo filho integrou a diretoria de uma grande empresa de gás no país do leste europeu.

O presidente republicano afirma que estava em seu direito de apontar um possível caso de corrupção e alega que não exerceu nenhuma pressão sobre Kiev.

  • Mas a oposição democrata está convencida de que Trump abusou de seu poder para favorecer sua campanha de reeleição, especialmente ao bloquear uma ajuda militar de quase 400 milhões de dólares destinada a um país que está em guerra com a Rússia.

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    Durante dois meses, a Câmara dos Deputados avançou na investigação. Embora a Casa Branca tenha se recusado a cooperar, o Congresso ouviu 15 depoimentos que apresentaram elementos comprometedores para o presidente.

    “A questão é saber se constituem um ato de traição, corrupção ou outros crimes ou delitos graves”, afirmou a deputada democrata Zoe Lofgren, ao citar os motivos para impeachment mencionados na Constituição dos Estados Unidos.

    Na nova fase que se inicia nesta quarta, o Comitê Judicial deve considerar ao menos quatro acusações ou artigos de impeachment: abuso de poder, corrupção, menosprezo ao Congresso e obstrução de justiça.

    Os republicanos parecem preparados para refutar tudo. “Estejam preparados para um espetáculo sem substância”, declarou Doug Collins, o congressista responsável por liderar o contra-ataque. Collins afirma que o presidente “não fez nada errado”.

    Uma vez redigidos, os artigos de acusação serão submetidos a uma votação no plenário da Câmara dos Deputados, o que pode acontecer antes do Natal.

    Levando em consideração a maioria democrata na Câmara, Trump tem grandes probabilidades de entrar para os livros de história como o terceiro presidente a ser acusado, depois de Andrew Johnson em 1868 e Bill Clinton em 1998, ambos depois exonerados. Richard Nixon renunciou antes da etapa definitiva do processo, em 1974.

    O Senado seria o responsável por julgar em seguida do presidente, com a necessidade de maioria de dois terços para a destituição, o que parece bastante improvável. Os republicanos são maioria no Senado e, no momento, apoiam Trump em peso.

    (Com AFP)

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