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Trump propõe a Putin acordo nuclear que inclua a China

Em conversa por telefone, americano tentou convencer russo de que caso Russiagate está encerrado e não terá consequências

Por Da Redação 3 Maio 2019, 18h22

Em mais de 1h de conversa por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta sexta-feira, 3, o presidente americano, Donald Trump, lançou a proposta da possibilidade de um acordo para a redução de arsenais nucleares entre os Estados Unidos, a Rússia e a China. A iniciativa tomaria o lugar do acordo bilateral de 2011, do qual Washington e Moscou se desvencilharam neste ano.

“Estamos falando sobre um acordo nuclear onde fazemos menos e eles fazem menos e até talvez nos livremos de parte do tremendo poder de fogo que temos agora”, disse Trump à imprensa, acrescentando que qualquer acordo poderá incluir a China. “Nós discutimos a possibilidade de um acordo de três partes, em vez de um acordo de duas partes. E a China, já falei com eles. Eles gostariam muito de fazer parte desse acordo.”

O acordo de 2011 era o único pacto de controle de armas entre EUA e Rússia que limita os arsenais de armas nucleares estratégicas e venceria em fevereiro de 2021. Trump classificou o tratado, assinado por seu antecessor democrata Barack Obama, como um “acordo ruim” e “unilateral”.

  • Russiagate

    Mais cedo, Trump havia descrito no Twitter que havia debatido com Putin temas de comércio, Venezuela, Ucrânia, Coreia do Norte e também a conclusão da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência russa na campanha presidencial norte-americana de 2016. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, classificou como uma “conversa positiva no geral”.

    Os dois líderes haviam conversado informalmente pela última vez em um jantar dos chefes de Estado do G20 em Buenos Aires no dia 1º de dezembro. Segundo Sanders, a discussão sobre o tema foi “essencialmente no contexto de que ele está encerrado e de que não houve conluio, algo que estou bem certa de que os dois líderes estavam bem cientes muito antes de esta ligação acontecer”.

    Telegramas diplomáticos da representação de Moscou em Washington, no entanto, certamente trazem outra versão: a de que a versão resumida divulgada pelo Departamento de Justiça omitira importantes conclusões de Mueller sobre a veracidade da intromissão russa nas eleições e também sobre as tentativas de obstrução das investigações por Trump. Parte da bancada democrata na Câmara dos Deputados considera as conclusões suficientes para a abertura de um processo de impeachment.

    O Kremlin confirmou que Putin conversou com Trump, em uma ligação que partiu de Washington. Destacou que os dois líderes concordaram em manter contato em níveis diferentes e expressaram satisfação com a “natureza prática e construtiva” da conversa.

    (Com Reuters)

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