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Trump promete a Netanyahu entregar plano de paz com palestinos até janeiro

Em encontro bilateral, o presidente americano dá respaldo à agressividade de Israel ao tratar de sua defesa contra os palestinos

Por Da Redação - Atualizado em 26 Sep 2018, 15h48 - Publicado em 26 Sep 2018, 14h50

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ao dizer-se favorável à solução dos dois Estados para a questão palestino-israelense e anunciar que a Casa Branca apresentará um plano de paz em, no máximo, quatro meses.

Os líderes reuniram-se na manhã desta quarta-feira em paralelo à sessão de abertura dos trabalhos da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Trump apresentou-se para o encontro acompanhado por sua equipe de Segurança Nacional e de temas de Oriente Médio.

“Nós estamos trabalhando nisso. Eu realmente acredito que algo vai acontecer. É um sonho meu ser capaz de terminar isso antes do meu primeiro mandato”, afirmou Trump. “Eu gosto da solução dos dois Estados. Esta é a que eu acho que funciona melhor.”

A declaração de Trump surpreende porque o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, claramente manifestou que não confiaria nos Estados Unidos como intermediários para a retomada das negociações com Israel. “O que está claro é que o governo dos Estados Unidos não poderá jamais ter um papel de mediador honesto”, declarou Abbas a VEJA em maio passado, quando Israel celebrava os 70 anos de sua independência e Washington transferia sua embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém.

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Trump, porém, mostrou-se “100% certo” de que os palestinos voltarão à mesa de negociações.

Aos jornalistas, depois de seu encontro com Trump, Netanyahu afirmou não estranhar o apoio americano à solução dos dois Estados, amplamente aceita pela comunidade internacional. Essa alternativa prevê a convivência pacífica de um estado palestino e um estado israelense, ambos soberanos e com fronteiras definidas.

“Eu disse ao presidente (Trump) que o importante é que os palestinos não sejam capazes de nos ameaçar e, por esta razão, Israel precisa ter completo controle de segurança”, relatou Netanyahu. “Nós estamos com vocês. Estamos 100% com Israel. Muito a favor do que Israel está fazendo enquanto a defesa deles é uma preocupação”, respondeu Trump, ao corroborar com a agressividade do país.

As agressões das forças de Israel têm sido frequentes na Faixa de Gaza desde 30 de março, quando começaram as  mobilizações da Comissão da Grande Marcha do Retorno. A cada semana, manifestantes se concentram na fronteira de Gaza com Israel para reivindicar o regresso dos palestinos expulsos do território israelense a partir de 1948.

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Armados com estilingues e pedras, parte dos manifestantes queima pneus e lança balões incendiários em direção a Israel. Os protestos têm sido respondidos a bala pelos soldados do Exército israelense. Mais de 186 palestinos foram mortos e milhares ficaram gravemente feridos, segundo o Ministério da Saúde da Autoridade Palestina. Desde o início desses conflitos, apenas um soldado israelense morreu.

Israel também controla as palestinas desde a Guerra dos Seis Dias em 1967, quando ocupou os territórios de Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza. A desta última está sob bloqueio desde que o movimento islâmico Hamas assumiu o controle do território, há 11 anos.

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