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Trump proíbe retorno de americana que se juntou ao Estado Islâmico

Hoda Muthana diz que se arrependeu de ter se juntado ao grupo terrorista em 2014 e declara que quer voltar

Por Da Redação 21 fev 2019, 13h01

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Estado impeça o retorno de uma mulher americana que deixou o país em 2014 para se juntar ao grupo terrorista Estado Islâmico.

A história de Hoda Muthana, de 24 anos, é parecida com a de Shamima Begum, a jovem britânica que deixou Londres para se casar com um soldado jihadista na Síria. Desde a semana passada, Begum, que acabou de dar à luz, pede ajuda para voltar para casa. Seu caso ganhou repercussão mundial, e o governo do Reino Unido, assim como fez o americano, optou por revogar a cidadania da “noiva” do Estado Islâmico para mantê-la longe do país, alegando que ela representa um perigo para a segurança nacional.

No final de 2014, pouco depois de se mudar para a Síria, Muthana postou em sua conta no Twitter uma foto de quatro mulheres queimando seus passaportes ocidentais, incluindo um americano. Em outros posts, ela incentivou o assassinato de pessoas dos Estados Unidos, glorificando o grupo extremista chegou a ter controle de grandes partes da Síria e do Iraque – mas sofreu pesadas derrotas no campo de batalha ao longo do último ano.

Muthana disse que se arrepende de ter deixado os Estados Unidos para se juntar aos terroristas. Segundo o jornal The Guardian, ela foi capturada por forças curdas quando fugia do último reduto do “califado” na Síria com seu filho de apenas 18 meses, fruto de um dos seus três casamentos com combatentes do grupo.

Agora, ela garantiu ter abandonado o radicalismo e quer reencontrar a família no Alabama. O secretário de Estado americano Mike Pompeo, afirmou na quarta-feira 20 que a mulher “não é uma cidadã dos Estados Unidos” e que o governo se recusa a aceitá-la de volta.

Em um comunicado breve que não detalha o processo da decisão, Pompeo disse que a mulher não tem “base legal” para alegar a cidadania americana. “Ela não tem nenhum passaporte válido, nenhum direito ao passaporte ou algum visto para viajar para os Estados Unidos. Nós continuamos a alertar para que nenhum cidadão de nosso país viaje para a Síria”, completou o secretário.

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Donald Trump assumiu responsabilidade pela decisão em sua conta no Twitter. “Instruí o Secretário de Estado Mike Pompeo, e ele concorda totalmente, para que não aceite Hoda Muthana de volta ao país!”

Alojada no campo de refugiados de Al-Hawl, na Síria, Muthana, que propagava material do Estado Islâmico na internet, alegou que sofreu uma “lavagem cerebral” do grupo e que interpretou mal sua fé quando decidiu se juntar aos jihadistas.

Hassan Shibly, advogado da família da americana, disse que a administração de Trump se baseia em uma interpretação “controversa” da lei envolvendo o pai de Muthana. “Eles alegam que o pai dela era um diplomata quando ela nasceu, o que, de fato, ele não era”, afirmou Shibly à The Associated Press. Ele ainda informa que ela nasceu em 1994 na cidade de Hackensack, no estado de Nova Jersey. 

Já os pais da mulher nasceram no Iêmen e se naturalizaram americanos, de acordo com a Universidade George Washington. A maioria das pessoas nascidas nos Estados Unidos têm o direito automático a cidadania, mas existem exceções. De acordo com a Lei de Imigração e Nacionalidade, alguém que nasce no país mas descende de uma autoridade diplomática não está sujeito à lei americana e não é considerado um cidadão por nascença.

O anúncio de Pompeo a respeito do caso contradiz falas anteriores do secretário de Estado. Ele já recomendou que outros países pedissem a extradição e julgassem seus cidadãos radicalizados.

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