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Trump prepara demissão do general Mattis do Pentágono

Militar nega ter escrito o artigo sobre a 'resistência silenciosa' na Casa Branca e ter insultado o presidente, como foi descrito no livro de Bob Woodward

A Casa Branca prepara a saída do general James Mattis do Departamento de Defesa até o final do ano e já examina uma lista de nomes para substituí-lo, segundo o jornal Washington Post. A relação entre Mattis e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já se mostrava desgastada antes da divulgação, nesta semana, de um livro e de um artigo anônimo sobre bastidores bombásticos do Salão Oval.

Mattis foi apontado pela Casa Branca como um dos suspeito de ter escrito o artigo, publicado no jornal The New York Times. O texto trata do esquema de “resistência silenciosa” de autoridades do governo – entre as quais o anônimo autor – para “frustrar partes da agenda e as piores inclinações” do presidente dos Estados Unidos.

De Nova Délhi, onde fechou acordo militar com o governo indiano, Mattis acionou seu pessoal no Pentágono para desmentir que tenha sido o autor. “Posso dizer que o secretário Mattis não escreveu o artigo”, afirmou o vice-diretor de imprensa do Departamento de Defesa.

Além da dúvida ainda existente sobre a autoria do artigo, relatos sobre Mattis publicados no livro Fear: Trump in the White House (Medo: Trump na Casa Branca, em tradução livre), do jornalista Bob Woodward. O livro traz informações sobre um “golpe de estado administrativo” de funcionários de alto escalão do governo – o roubo de documentos e outros atos para evitar a adoção das ideias de Trump.

A obra reconta que, em uma reunião para demover Trump de sua ideia de retirar as tropas americanas na Coreia do Sul, o general foi ao ponto nevrálgico da questão: “Estamos fazendo isso para evitar uma Terceira Guerra Mundial”.

Em seguida, teria comentado para seus assessores que o presidente tinha o nível de compreensão de um garoto “do 5º ou 6º ano” escolar. Mattis negou ter insultado Trump e disse que o livro de Woodward é “produto de uma imaginação fértil”.

Segundo o Washington Post, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que “a especulação sobre quem substituirá Mattis é agora mais real do que nunca”. A fonte completou que Trump sempre respeitou o general, mas agora tem razões para imaginar que Mattis estaria falando a suas costas. “A relação está desmoronando, e rápido”, disse.

Na lista de substitutos, segundo o Post, o favorito seria o general do Exército Jack Keane, retirado desde 2003 e amplamente respeitado no Congresso, segundo o Post. Outros nomes apontados são os dos senadores Tom Cotton e Lindsey Graham, o do ex-senador Jim Talent e o do ex-secretário do tesouro David McCormick.