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Trump lança Conselho da Paz para Gaza e enfrenta boicote de aliados europeus

Ausência de Reino Unido e França e críticas sobre papel da ONU expõem divisões

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 fev 2026, 11h44 | Atualizado em 19 fev 2026, 11h57
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu nesta quinta-feira (19), em Washington, a primeira cúpula do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa criada para supervisionar os esforços de estabilização em Gaza e que, segundo a Casa Branca, pode ampliar sua atuação para outros conflitos globais.

O encontro ocorre em meio a um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas e já nasce sob contestação: aliados tradicionais dos EUA, como Reino Unido, França, Noruega, Suécia e Eslovênia, recusaram convite para integrar o novo organismo, citando preocupações com seu estatuto e com o possível enfraquecimento do papel da Organização das Nações Unidas nas missões de paz.

A reunião acontece no United States Institute of Peace e reúne representantes de cerca de 40 países, incluindo ao menos cinco chefes de Estado.

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Entre os confirmados estão o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o presidente da Argentina, Javier Milei, ambos alinhados politicamente a Trump.

Plano bilionário para Gaza

A Casa Branca deve anunciar um plano multibilionário de reconstrução de Gaza. Segundo Trump, mais de US$ 5 bilhões já teriam sido prometidos por países participantes, embora os doadores não tenham sido identificados publicamente.

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Também está prevista a apresentação de detalhes sobre uma força de estabilização com autorização da ONU para atuar no território palestino.

De acordo com um alto funcionário americano ouvido pela NBC News, alguns países estudam enviar “vários milhares” de soldados para compor a missão.

A pauta inclui ainda ajuda humanitária, a criação de um comitê nacional para administrar Gaza e a estrutura de uma força internacional de segurança.

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Resistências internacionais

A ausência de aliados estratégicos dos EUA marcou o início da iniciativa. O Vaticano confirmou que o Papa Leão XIV recusou convite para integrar o conselho, reiterando que a ONU é o foro apropriado para a gestão de crises internacionais.

A União Europeia enviou como representante a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Šuica, mas informou que o bloco não aderirá formalmente ao novo organismo.

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A Itália participa como observadora. Já o Canadá foi excluído após divergências públicas entre Trump e o primeiro-ministro canadense.

A Rússia, convidada a integrar o conselho, indicou que não participará da primeira reunião. O vice-chanceler russo afirmou que Moscou ainda avalia sua posição de longo prazo.

Críticas de palestinos e especialistas

O projeto também enfrenta críticas de autoridades e analistas por suposta falta de representatividade palestina na estrutura decisória sobre Gaza.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, por meio de assessor, classificou a proposta como inaceitável “em quaisquer circunstâncias”, ainda que a considere menos prejudicial do que alternativas unilaterais. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que o mandato do conselho foi ampliado sem clareza sobre como os interesses da população de Gaza serão incorporados.

Um órgão tecnocrático supervisionado pelo conselho deverá administrar o dia a dia do território e será liderado pelo funcionário palestino Ali Shaath.

WASHINGTON, DC – 19 DE FEVEREIRO: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega para a reunião inaugural do Conselho da Paz no Instituto da Paz, em 19 de fevereiro de 2026, em Washington, DC
WASHINGTON, DC – 19 DE FEVEREIRO: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega para a reunião inaugural do Conselho da Paz no Instituto da Paz, em 19 de fevereiro de 2026, em Washington, DC (Getty/Getty Images)

Cessar-fogo sob tensão

Embora o cessar-fogo entre Israel e Hamas esteja formalmente em vigor, ataques aéreos israelenses continuam sendo registrados em Gaza, segundo autoridades de saúde palestinas. Israel e Hamas trocam acusações de violações do acordo.

Grande parte da população de Gaza permanece deslocada e vivendo em abrigos improvisados, enquanto a reconstrução enfrenta desafios logísticos e políticos significativos.

Um dos pontos mais delicados é a desmilitarização do Hamas — cláusula central do acordo e tema de impasse nas negociações.

Ao defender a criação do Conselho da Paz, Trump afirmou que a iniciativa poderá atuar “muito além de Gaza” e trabalhar “em conjunto com a ONU”, embora tenha criticado o desempenho do organismo internacional.

“Acho que pode ser um instrumento para a paz no mundo todo”, disse.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de foto oficial ao lado do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio, da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, de Jared Kushner e de outros representantes do Conselho da Paz durante a reunião inaugural do órgão no Instituto da Paz, em 19 de fevereiro de 2026, em Washington, DC
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participa de foto oficial ao lado do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio, da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, de Jared Kushner e de outros representantes do Conselho da Paz durante a reunião inaugural do órgão no Instituto da Paz, em 19 de fevereiro de 2026, em Washington, DC (Getty/Getty Images)
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