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Trump lamenta não ter aumentado ainda mais tarifas contra a China

Presidente americano tinha dado a entender durante o encontro do G7 que iria flexibilizar a sua posição com relação ao país asiático

O presidente americano Donald Trump não se arrepende da guerra comercial com a China e só “lamenta não ter aumentado mais as tarifas” sobre os produtos chineses, informou neste domingo uma porta-voz da Casa Branca.

“Foi perguntado ao presidente se ‘queria mudar de opinião sobre a guerra comercial com a China’, e sua resposta foi mal interpretada”, disse Stéphanie Grisham. “O presidente Trump respondeu afirmativamente, (mas) porque lamenta não ter aumentado ainda mais as taxas.”

Pouco antes, Trump deu a intender que flexibilizava sua posição nesta questão. “Sempre penso duas vezes, sobre todos os temas”, havia dito.

Ainda neste domingo, 25, Trump declarou que sua guerra comercial com a China não causa tensão na cúpula do G7, apesar das preocupações expressas por vários outros líderes. O presidente dos Estados Unidos também afirmou em Biarritz, sudoeste da França, que não pretende tomar outras medidas contra Pequim neste momento.

“Eles respeitam a guerra comercial. Ela deveria acontecer”, disse Trump antes de uma reunião com outros líderes do G7, incluindo Emmanuel Macron, Angela Merkel e Shinzo Abe. Questionado sobre possíveis críticas de seus colegas sobre o assunto, ele insistiu: “Não, de forma alguma. Eu não ouvi isso”.

Muitos chefes de Estado expressaram preocupações sobre o impacto negativo deste conflito comercial sobre a economia global e os mercados, como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que declarou claramente a Donald Trump que é “a favor de uma paz comercial” e que “não gosta de impostos alfandegários”.

Os mercados financeiros caíram após o anúncio de taxas adicionais americanas sobre um total de 550 bilhões de dólares em importações chinesas, em resposta a um novo aumento das tarifas chinesas.

O presidente americano admitiu ter algumas dúvidas sobre a conveniência de intensificar sua guerra comercial. Ele apontou que se absteria, no momento, de declarar um estado de emergência nacional que permitiria, segundo ele, ordenar que as empresas americanas deixem a China.

Em contrapartida, o republicano garantiu que está “muito perto” de concluir um “grande” acordo comercial com o Japão. Washington e Tóquio “trabalham nesse acordo há cinco meses”, disse.

Na sexta-feira, 23, Donald Trump ameaçou Pequim com medidas drásticas, tuitando que “as empresas americanas têm ordens para começar imediatamente a procurar uma alternativa à China”.

Apesar de seus comentários mais sutis neste domingo, Trump defendeu sua estratégia em relação à China, a quem ele acusa de “roubo de propriedade intelectual da ordem de 300 a 500 bilhões de dólares por ano”. Perdemos um total de cerca de 1 trilhão de dólares por ano. E, sob muitos aspectos, é uma emergência”, disse.

Como vem afirmando há meses, o presidente americano reafirmou que a China acabará cedendo às demandas e mudando sua relação comercial com os Estados Unidos. “Estamos em discussões, eles querem um acordo tanto quanto nós”, assegurou.