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Trump insiste em tarifas, mas promete ‘flexibilidade’ a amigos

Plano pode incluir isenção de tarifas para o México e o Canadá, que renegociam com os EUA os termos do Nafta

Por Da redação - 8 Mar 2018, 16h33

O presidente Donald Trump baixou nesta quinta-feira o tom em relação a seu plano de impor tarifas ao aço e alumínio para os países que forem “verdadeiros amigos” do governo americano. Ele prometeu que os Estados Unidos serão “muito justos e muito flexíveis”, horas antes da promulgação dos impostos.

A porta-voz da Presidência, Sarah Sanders, indicou que o plano poderia incluir exceções ao México e ao Canadá, dois parceiros que renegociam os termos do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) com os Estados Unidos.

Segundo Sanders, essa exceção também poderia ser aplicada “potencialmente a outros países”, após uma análise baseada em critérios de segurança nacional.

No entanto, o jornal The Washington Post assegurou que a isenção tarifária para o México e o Canadá seria de apenas 30 dias, prorrogáveis se a renegociação do Nafta mostrar sinais de progresso.

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Trump vai anunciar a decisão final relativa a tarifas sobre aço e alumínio em reunião marcada para as 17h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira.

O presidente dos Estados Unidos afirmou, em declarações a jornalistas nesta quinta-feira, que vai manter as sobretaxas inicialmente em 25% e 10%, mas terá o direito de subir ou baixá-las. A gama de isenções potenciais para aliados e indústrias tornou o resultado final imprevisível.

Além das isenções, poderia haver um período de consulta que levaria a um intenso lobby da indústria e de um grupo crescente de legisladores republicanos descontentes, que se opõem às tarifas propostas pelo presidente republicano.

“Nós temos que proteger e construir nossas indústrias de aço e alumínio, ao mesmo tempo mostrando grande flexibilidade e cooperação para com aqueles que são verdadeiros amigos e nos tratam de maneira justa tanto no comércio como militarmente”, disse o presidente em uma postagem no Twitter mais cedo nesta quinta-feira.

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As conversas sobre tarifas elevaram a perspectiva de uma guerra comercial global e atingiram duramente os mercados de ações. Tanto a União Europeia como a China disseram que vão retaliar a ação americana.

“Se Donald Trump impuser as medidas nesta noite, temos todo o arsenal à nossa disposição para responder”, afirmou o Comissário Europeu de Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici. As contramedidas incluiriam a imposição de tarifas nas importações europeias sobre laranjas, tabaco e bourbon dos Estados Unidos, disse Moscovici.

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O governo chinês, que até agora tinha mantido em grande parte silêncio sobre o assunto, aumentou o tom significativamente. A China tem como carta na manga as grandes exportações agrícolas dos Estados Unidos e já disse no passado que poderia alvejar a soja.

“Especialmente dada a globalização de hoje, escolher uma guerra comercial é uma receita equivocada. O resultado só será prejudicial”, disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, à margem de uma reunião anual do Parlamento da China. “A China teria que dar uma resposta justificada e necessária.”

China registrou um superávit recorde de 375,2 bilhões de dólares no comércio com os Estados Unidos no ano passado.

(Com Reuters e AFP)

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