Trump diz que Venezuela ‘não está pronta’ para novas eleições
Sete meses após captura de Maduro, país vive suposta 'transição democrática' liderada pelos EUA com vice do ex-ditador como interina
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira, 2, que a Venezuela ainda não está pronta para realizar eleições, sete meses após a captura do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar americana.
“Só acho que ainda não estão prontos. Sabe, é muito novo. Tiramos eles de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o governo”, declarou Trump, referindo-se à administração comandada pela presidente interina, Delcy Rodriguez.
A fala ocorre em um momento em que os Estados Unidos dizem estar liderando uma “transição democrática” no país sul-americano. Desde que Maduro foi levado para os Estados Unidos, no dia 3 de janeiro, é Rodriguez, sua vice-presidente, que está governando a Venezuela e atendendo aos pedidos do ocupante do Salão Oval.
Diálogo (limitado) com a oposição
Durante o processo de redemocratização, Rodriguez tem tentado dialogar com a oposição. Na quarta-feira 12, os dois grupos anunciaram que concordaram em se unir em ao menos duas frentes, incluindo os esforços para recuperar as reservas de ouro do país bloqueadas na Inglaterra e para avançar com uma reforma do sistema judicial.
As duas medidas aprovadas por ambos os grupos incluem a transformação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e a criação de um novo mecanismo de indicação e nomeação de magistrados. A oposição insiste em uma reforma do TSJ, que em 2024 validou a reeleição fraudulenta de Maduro. A mudança na corte é considerada determinante para que sejam convocadas eleições no futuro.
As partes também concordaram em unir esforços para promover a recuperação dos ativos das reservas internacionais da Venezuela no Banco da Inglaterra. Desde 2019, a oposição iniciou um processo para impedir que o governo deposto tivesse acesso a estes fundos.
Há algumas semanas, Delcy já havia pedido ao rei Charles III, por meio de uma carta, a liberação do ouro das reservas internacionais depositado no Banco da Inglaterra para a resposta de emergência ao duplo terremoto que atingiu o país em 24 de junho e deixou mais de 6.300 mortos.
Acordo petrolífero
A fala do republicano também ocorre em um momento em que o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, acabou de firmar um acordo petrolífero com a Venezuela, que prevê a participação de Washington na exploração de 65 bilhões de barris de petróleo — o equivalente a 20% das reservas venezuelanas.
A proposta prevê uma parceria entre o governo americano, empresas privadas e o governo venezuelano para desenvolver 17 campos de petróleo. A administração Trump afirma que a iniciativa poderá atrair cerca de US$ 100 bilhões em investimentos e ampliar a produção venezuelana, hoje limitada pela deterioração da infraestrutura e pela falta de investimentos.







