Trump diz que vai exigir indenização do Irã para encerrar guerra
Presidente dos EUA rebate a demanda iraniana por compensação como condição para reabrir o Estreito de Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira, 10, que buscaria uma compensação por parte do Irã por ataques que remontam a décadas atrás, como parte de qualquer futura negociação de paz. Ele não especificou a quais incidentes se referia, mas o regime dos aiatolás foi apontado como mandante de atentados terroristas por todo o mundo, de Buenos Aires a Beirute, por meio de seu “eixo da resistência”, a rede de grupos armados que o Estado financia.
“O Irã está pedindo uma compensação pelos danos que lhe foram causados durante o conflito militar dos últimos cinco meses (…) Eu também exijo uma compensação do Irã por todas as pessoas que mataram” ao longo do tempo, escreveu o americano na sua rede, a Truth Social. “Instruí meus representantes a incluir isso firmemente em todas e quaisquer negociações futuras”, completou.
A declaração vem após o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, declarar no domingo 9 que o Estreito de Ormuz não será reaberto a menos que os Estados Unidos atendam a certas demandas do regime dos aiatolás, entre as principais delas o pagamento de indenizações por danos causados pelos bombardeios.
O ocupante do Salão Oval, no entanto, alegou que e exigência iraniana de uma indenização pelos danos causados na guerra “isso nunca foi mencionada em nenhuma de nossas negociações ou reuniões”. O texto do memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que ruiu com a retomada dos ataques parte a parte poucas semanas depois, previa um fundo “no valor mínimo de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 1,5 trilhão) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico” da república islâmica.
Mohammad Baqer Zolqadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, também listou outras exigências: o fim de novas ameaças americanas contra o Irã; a interrupção de agressões ao país e aos grupos armados que apoia no Líbano, em Gaza, no Iêmen e no Iraque; a remoção completa do bloqueio naval dos Estados Unidos aos portos iranianos; e a suspensão de sanções e liberação de fundos do Irã congelados em bancos no exterior.
Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas a Marinha americana restabeleceu, em julho, um bloqueio a portos e navios iranianos — uma medida que, segundo Teerã, violou a trégua que já era praticamente nula naquela altura.
Uma fonte do governo americano afirmou à agência de notícias Reuters que o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos está condicionado à retomada do fluxo de navegação “sem impedimentos” no Estreito de Ormuz, e que quaisquer ações de Washington só virão após o cumprimento dos compromissos por parte de Teerã.







