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Trump diz acreditar que jornalista saudita está morto

Presidente americano alerta Arábia Saudita, aliada dos EUA no Oriente Médio, para 'consequências severas'

Depois de suas várias tentativas de eximir a Arábia Saudita de envolvimento no sumiço de Jamal Khashoggi, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta  quinta-feira (18) acreditar que o jornalista esteja morto e alertou que haverá consequências “muito severas” se o governo saudita for o responsável.

Em breve entrevista ao jornal The New York Times, Trump mostrou-se confiante nos relatórios de agências de inteligência de vários países, que apontam a responsabilidade de altas autoridades sauditas no episódio. Khashoggi era crítico do regime da Arábia Saudita, havia se exilado nos Estados Unidos e buscara no dia de seu desaparecimento, no Consulado saudita em Istambul, na Turquia, os papéis para casar-se. Não deixou o local vivo, como já constataram os investigadores turcos.

“Certamente, parece isso para mim. É muito triste”, disse Trump sobre a morte de Khashoggi em outro momento, quando estava para embarcar para uma viagem ao estado de Montana. “É um caso muito ruim, mas veremos o que acontece”, completou.

Segundo o Times, Trump não chegou a responsabilizar o príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. Mas as alegações de que Salman teria ordenado a morte de Khashoggi impõem questões graves para a relação Washington-Riad e geram uma inevitável crise diplomática com um grande aliado americano no Oriente Médio.

“Este (episódio) capturou a imaginação do mundo, infelizmente. Isso não é positivo”, afirmou. “A menos que aconteça o milagre dos milagres, eu reconheceria que ele está morto. Isso está embasado em todo (material de) inteligência de chegam de todos os lados”, completou.

As declarações de Trump para o Times, em especial, dão a entender que a Casa Branca prepara-se para tomar medidas severas contra a Arábia Saudita, mesmo sendo esse país um dos maiores fornecedores de petróleo para os Estados Unidos, um dos maiores investidores na América e um dos seus principais aliados militares no Oriente Médio. Khashoggi, afinal, estava abrigado pelos Estados Unidos.

“Eles têm sido um aliado muito bom e compraram quantidades enormes de várias coisas e investiram no nosso país, o que eu agradeço”, lamentou.

As represálias que podem ser adotadas, em caso de confirmação dessas suspeitas, ainda não foram mencionadas. Nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, cancelou sua participação em uma conferência econômica em Riad, na próxima semana, em sinal da irritação de  Washington contra a Arábia Saudita.