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Trump desiste de questão sobre nacionalidade no censo de 2020

Presidente pediu análise sobre imigrantes sem cidadania americana; opositores acreditam que pergunta coibiria ilegais de participar na pesquisa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desistiu de incluir uma pergunta sobre cidadania no censo americano de 2020. Por outro lado, pediu que o governo examine seus arquivos para informá-lo sobre quantos dos imigrantes presentes no país não têm nacionalidade americana.

“Vamos seguir uma nova opção”, disse Trump a jornalistas nos jardins da Casa Branca. “Usaremos (os dados procedentes das diferentes agências) para elaborar uma apuração completa da população que não é cidadã (americana). Acredito que será muito mais preciso” do que incluir a pergunta no censo, acrescentou.

Assim, Trump desistiu dos esforços de acrescentar a pergunta ao censo, duas semanas depois de a Suprema Corte do país alegar que o governo não tinha apresentado uma razão adequada para incluir essa questão no formulário.

Em um primeiro momento, o presidente negou-se a aceitar a decisão do Supremo e pediu que seus advogados explorassem opções para inclui-la. O Escritório do Censo, porém, já havia começado a imprimir os formulários sem a pergunta, e o litígio atrapalharia o desenvolvimento do levantamento nacional, segundo o próprio Trump.

“Podemos usar as informações (das agências governamentais) junto com o questionário para criar o censo oficial”, defendeu o presidente nesta quinta-feira 11.

A inclusão da pergunta sobre cidadania no censo gerou protestos pelo país. Alguns estados, como o de Nova York, e organizações pelos direitos dos imigrantes alegaram que a questão instigaria o medo entre os imigrantes de que as informações fossem compartilhadas com agentes de imigração.

Obrigatório segundo a Constituição dos Estados Unidos, o censo é usado como base para repartir os assentos na Câmara dos Deputados e para distribuir os 800 bilhões de dólares dos fundos federais. O objetivo da questão sobre cidadania, segundo seus oponentes, era produzir uma subcontagem intencional em regiões com muitos imigrantes e grande número de latinos.

Essas áreas são tradicionalmente bolsões de eleitores democratas e teriam o número de representantes reduzido caso seus moradores não participassem do censo, ajudando o governo republicano e os americanos não hispânicos.

Apesar de não poderem votar, os imigrantes não naturalizados americanos correspondem a 7% da população do país e são contabilizados na hora de distribuir o número de assentos por estado.

Aliados de Trump responderam que a pergunta garantiria o fortalecimento do direito ao voto. A declaração de cidadania não faz parte do questionário do censo desde 1950. De acordo com o Departamento do Censo dos Estados Unidos, 6,5 milhões de pessoas não responderiam à pesquisa, se a questão fosse incluída no questionário.

(Com EFE)