Trump defende operações militares e diz que ‘cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental’
Nos últimos meses, EUA também realizaram ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico
Em discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu ações militares americanas em outros países contra o narcotráfico, afirmando que “cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”.
“Estamos reafirmando o poder americano, incluindo o poder militar quando necessário, na nossa região e no mundo. Está acontecendo e está acontecendo rápido. Eu designei os cartéis de drogas como organizações terroristas e autorizei o Exército americano a lidar com eles”, disse. “Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. Não são boas pessoas. São inimigos em guerra com a civilização, usando assassinatos, estupros e extorsões como armas de guerra”. “Como o Estado Islâmico, eles devem ser mortos, exilados ou presos como combatentes, sem a possibilidade de libertação, como estamos fazendo”, afirmou.
Ao longo da fala, Trump comemorou a detenção do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no início do ano, em uma operação militar americana. Maduro e sua esposa estão detidos em Nova York.
“Prendemos o criminoso Nicolás Maduro e desde então, centenas de presos políticos venezuelanos foram liberados. E fechamos o maior acordo de petróleo da história”, disse.
+ Na ONU, Lula cita ‘ingerência externa’ e diz que ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’
Pouco antes, no discurso de abertura da sessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente as ações americanas, defendendo que o Brasil não pretende “terceirizar a responsabilidade” de proteger suas próprias fronteiras, sobretudo contra o crime organizado. A fala é uma menção direta à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções PCC e CV como grupos terroristas, um ato classificado pelo governo brasileiro como um “desaforo”.
“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, declarou.
Segundo o presidente, “não permitiremos que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”.
Ao longo da fala, o presidente brasileiro afirmou que o povo da Venezuela deve definir seu próprio destino, em um recado direto à intervenção dos Estados Unidos, que depôs o presidente Nicolás Maduro, hoje preso em Nova York, e que acaba de assinar um acordo que prevê exploração de petróleo venezuelano.
Operações americanas
+ Exército dos EUA prepara envio de drones à América do Sul para operações militares, diz emissora
Nos últimos meses, os Estados Unidos também realizaram ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico oriental, em operações que deixaram pelo menos 230 mortos. Mais recentemente, a estratégia passou a incluir a interceptação de barcos, retirada das tripulações e transferência dos detidos para países parceiros antes da destruição das embarcações.
Na semana passada, a emissora americana CNN revelou que o Exército dos Estados Unidos pretende, inclusive, enviar para a América do Sul diversos drones MQ-9 Reaper que atualmente estão na África, em mais um movimento para ampliar sua presença militar na região, segundo informações da emissora americana CNN publicadas nesta sexta-feira, 18.
Entre os países que podem receber as operações está o Equador, que começou neste ano a realizar ações militares conjuntas com os EUA contra organizações classificadas por Washington como terroristas. O movimento acompanha uma mudança mais ampla na estratégia americana para a região, com autoridades do governo do presidente Donald Trump defendendo uma intensificação das operações terrestres contra grupos ligados ao narcotráfico.
No início do mês, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, realizou uma viagem estratégica pela América do Sul, passando por Equador, Colômbia e Peru. O objetivo da visita foi consolidar a cooperação militar e econômica com aliados regionais — e ampliar ainda mais a influência americana no continente.
Além disso, a iniciativa acontece meses após o governo americano declarar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como terroristas. Na terça-feira, Trump afirmou que o Brasil “falhou” no combate às organizações terroristas estrangeiras designadas, que transformaram o país “em um centro de distribuição global de cocaína”.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança mundial, e o governo brasileiro precisa, com urgência, adotar medidas enérgicas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se expandam e se fortaleçam”, diz o texto assinado pelo presidente norte-americano.
A decisão contraria a posição do governo brasileiro, que teme interferências americanas no país, incluindo a possibilidade de que a medida seja usada como pretexto para uma possível invasão territorial, como feito em outros países. Foi com essa justificativa, por exemplo, que as Forças Armadas norte-americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro e bombardearam embarcações no Mar do Caribe.
Na ONU, Trump apontou ainda para o objetivo de mudança de regime em Cuba. Durante a fala, autoridades cubanas deixaram o plenário em resposta.
“Minha administração também busca uma mudança fundamental na situação em Cuba, onde o regime comunista está sob grande pressão — a maior pressão que já enfrentou. É um Estado absolutamente fracassado. Está em colapso”, disse.







