Trump critica lucro de petroleiras com guerra no Irã e cobra redução no preço da gasolina
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, preço médio do combustível nos EUA aumentou quase 40%; Chevron registra ganhos cinco vezes mais altos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta segunda-feira, 3, as grandes empresas petrolíferas por ganharem “dinheiro demais” devido à escassez de petróleo provocada pela guerra no Irã.
“Não gosto. Estão ganhando dinheiro demais. Baseando-se em uma escassez, estão ganhando dinheiro demais”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.
Segundo o republicano, as companhias deveriam repassar parte desses ganhos aos consumidores por meio da redução dos preços nos postos de combustíveis. “Têm que devolver parte disso ao público, e é melhor para eles reduzir o preço no varejo, o preço ao consumidor”, disse.
A disparada nos preços da gasolina se tornou um tema sensível para o governo às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o preço médio da gasolina comum nos Estados Unidos aumentou mais de 37%.
Antes dos primeiros ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel, o barril de Brent, referência internacional, era negociado entre US$ 60 e US$ 70. Com a escalada do conflito, a cotação chegou a atingir cerca de US$ 126 no fim de abril. Atualmente, o barril é negociado na faixa de US$ 85.
Na última sexta-feira, as petroleiras americanas ExxonMobil e Chevron divulgaram lucros extraordinários impulsionados pelo conflito. A ExxonMobil registrou um ganho de US$ 14,5 bilhões (cerca de R$ 73,6 bilhões) no segundo trimestre, mais que o dobro do mesmo período do ano passado. Já a Chevron lucrou US$ 12,1 bilhões (aproximadamente R$ 61,4 bilhões), valor superior a cinco vezes o registrado um ano antes. Outras gigantes do setor também anunciaram ganhos elevados em razão da valorização do petróleo.
O imbróglio de Ormuz
O Estreito de Ormuz, estratégica rota marítima por onde passa um quinto do petróleo e gás consumidos no planeta, é um dos principais obstáculos nos esforços para encerrar o conflito. Após ser atacado por Estados Unidos e Israel, o Irã fechou o estreito em retaliação e passou a abrir fogo contra navios mercantes que tentam atravessar a via sem autorização.
Mais cedo nesta segunda, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz poderá ser reaberto “literalmente até amanhã” e reiterou que esta é a “última chance” de Teerã assinar um “bom acordo”.
O ocupante do Salão Oval ainda declarou que as negociações com o Irã devem avançar rapidamente e disse que os detalhes sobre possíveis conversas diretas serão conhecidos “hoje ou amanhã”.
De acordo com o presidente americano, a reabertura da estratégica rota marítima seria a primeira etapa do processo, seguida pela desnuclearização iraniana, que, segundo ele, demandaria mais tempo. O programa iraniano de enriquecimento de urânio, não custa lembrar, encabeçava o rol de justificativas de Estados Unidos e Irã para abrir sua incursão — mas o regime dos aiatolás insiste que seu programa é exclusivamente de natureza civil e jamais foi projetado para fabricar bombas.
Antes da guerra, a passagem pelo estreito era livre, mas agora Teerã insiste em manter o controle e cobrar pedágios, algo que o governo dos Estados Unidos rejeita. O cessar-fogo veio abaixo justamente quando a Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico da república dos aiatolás, passou a disparar contra embarcações que trafegavam pela chamada “rota de Omã”, mais distante da costa iraniana e não aprovada pelas autoridades do regime.
No domingo, Baqaei declarou à televisão estatal que seu governo estava prestes a fechar um acordo com Omã, nação situada no lado oposto do estreito que compartilha sua gestão, sobre uma nova rota de trânsito em Ormuz.
“Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota do norte nem a do sul —, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança”, declarou. Ele insistiu, no entanto, que o acordo não implicava a reabertura do estreito.







