Trump critica juízes da Suprema Corte dos EUA após sofrer revés em votos pelo correio
Tribunal rejeitou a aplicação de novas regras que dificultariam o envio de cédulas de votação por correspondência
O presidente Donald Trump criticou nesta terça-feira, 15, os juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos que ele mesmo nomeou, depois que o tribunal rejeitou a aplicação de novas regras que dificultariam o envio de cédulas de votação pelo correio.
“Esta Suprema Corte está sendo intimidada e manipulada pela esquerda radical para tomar decisões que fizeram os Estados Unidos retrocederem pelo menos cem anos”, escreveu o republicano nas redes sociais, chamando a decisão de “horrível” e “altamente política”. “Essas não são as pessoas que entrevistei para atuar na Suprema Corte dos Estados Unidos; elas são apenas uma sombra do que eram originalmente”, acrescentou.
A declaração do mandatário foi publicada um dia após os magistrados negarem o pedido do Departamento de Justiça para derrubar uma decisão da juíza federal Indira Talwani, de Boston, que havia impedido parte da implementação de um decreto presidencial que restringe o voto por correspondência. Em uma breve decisão de apenas um parágrafo, a Suprema Corte afirmou que o governo dificilmente conseguiria reverter a suspensão com base nos argumentos apresentados.
Dois juízes conservadores, Samuel Alito e Clarence Thomas, divergiram da maioria da corte, escrevendo que o governo Trump “provavelmente terá sucesso no mérito de seu recurso”.
Ordem de Trump
Assinada pelo presidente americano em março, a ordem executiva determinava que o governo federal elaborasse e enviasse aos estados listas de cidadãos considerados aptos a votar. O Departamento de Justiça também foi orientado a priorizar investigações e processos contra autoridades eleitorais que distribuam cédulas a pessoas consideradas inelegíveis para votar em eleições federais.
No mês passado, o Serviço Postal americano publicou regras para colocar a medida em prática. Entre as exigências estava o fornecimento, pelos estados, de listas de eleitores que receberam cédulas pelo correio e de códigos de barras específicos para os envelopes de envio e devolução.
Trump afirma há anos que o voto pelo correio é vulnerável a fraudes e já declarou que pretende acabar com o sistema em todo o país. Não há, porém, evidências de fraude generalizada nas eleições por correspondência.
“Votar pelo correio significa fraudar pelo correio. Eu chamo isso de fraude por correio, e precisamos fazer algo a respeito”, disse o mandatário durante um evento em Memphis, no Tennessee, em março.
Ainda que crítico voraz da modalidade, o republicano não se furtou a recorrer a esse direito durante as eleições para o distrito 87 da legislatura estadual da Flórida este ano. De acordo com o site da supervisão eleitoral do condado de Palm Beach, o líder americano utilizou o correio para declarar sua preferência ao candidato republicano Jon Maples.
Impacto nas eleições
A campanha de Trump contra os votos pelo correio faz parte de uma iniciativa mais ampla da Casa Branca, denominada “Save America Act” (Lei Salve a América, em tradução livre), que visa endurecer as regras de identificação de eleitores com o suposto objetivo de impedir a participação ilegal nas eleições americanas (em especial de imigrantes, que, segundo a administração, apoiariam desproporcionalmente os democratas).
Críticos, contudo, apontam que a fraude por falsidade ideológica de eleitor é quase inexistente no país e denunciam as novas regulamentações como uma tentativa de supressão dos votos, que prejudica principalmente minorias (hispânicos e negros), idosos, estudantes e pessoas de baixa renda, pois tais grupos têm menos chances de possuir os documentos aceitos.
A disputa ocorre em meio à corrida pelo controle do Congresso nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A restrição ao voto pelo correio teria impacto político relevante, visto que eleitores democratas historicamente recorrem a esse método com maior frequência que republicanos.
Em 2024, cerca de 30% das cédulas da eleição presidencial foram enviadas pelo correio.





