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Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita à normalização de relações com Israel

Países anunciaram pacto para estabelecer projeto de desenvolvimento atômico na quarta-feira

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2026, 10h09 | Atualizado em 23 jul 2026, 10h29
Trump condiciona acordo nuclear com Arábia Saudita à normalização de relações com Israel Priorizar nos meus resultados Google

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira, 23, que o acordo nuclear em negociação com a Arábia Saudita só acontecerá se o reino normalizar relações com Israel através dos Acordos de Abraão.

Em publicação nas redes sociais, Trump reforçou que o documento “será aprovado, mas está totalmente condicionado à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão”. Sob o texto, não há permissão para enriquecimento de urânio, embora especialistas tenham manifestado preocupações de que o acordo não possua salvaguardas suficientes para impedir enriquecimento a níveis próximos da produção de armas nucleares.

+ Arábia Saudita quer programa nuclear ‘pacífico’, afirma governo Trump após anunciar acordo

Conjunto de tratados criados em 2020, os Acordos de Abraão determinam que países árabes passem a ter relações diplomáticas com Israel. Os acordos foram assinados por Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Sudão, Cazaquistão e Marrocos, além de Israel, e a ideia era ampliá-los, mas as discussões para a adesão de outros países foram interrompidas com a guerra na Faixa de Gaza e a falta de reconhecimento de um Estado palestino.

Mais cedo, nesta quinta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que a Arábia Saudita é um parceiro importante para os Estados Unidos e que faz sentido firmar um acordo nuclear com o reino árabe que almeja um programa “pacífico”. Na véspera, os dois países anunciaram um pacto para estabelecer um projeto de desenvolvimento atômico no país do Golfo e garantiram que o documento contém salvaguardas para evitar a proliferação nuclear.

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“Basta dizer que os Estados Unidos estão sempre em busca de acordos de cooperação com aliados”, disse Rubio ao falar com repórteres à margem da conferência da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em Manila, Filipinas. “No caso da Arábia Saudita, eles têm sido um importante parceiro estratégico para nós. Faria sentido firmarmos tal acordo.”

Ele ressaltou que a nação árabe “busca ter um programa nuclear civil para fins pacíficos”.

O pacto

O acordo ocorre enquanto os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, travam uma guerra contra o Irã, iniciada em grande parte devido às preocupações com o programa nuclear da nação persa, tema central das negociações de paz que atualmente se encontram estagnadas.

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Dois acordos — um sobre “cooperação nuclear para fins pacíficos” e outro sobre “salvaguardas bilaterais” — foram assinados pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e por seu homólogo saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, informou o Departamento de Energia dos Estados Unidos.

“Esses dois acordos estabelecem, em conjunto, a base jurídica para uma parceria de várias décadas e de bilhões de dólares, que impulsionará diversos objetivos econômicos e estratégicos prioritários, incluindo a não proliferação nuclear”, afirma um comunicado.

Ao comentar o acordo, Rubio ressaltou que qualquer pacto que Washington venha a firmar sobre energia nuclear civil incluiria salvaguardas.

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“Os Estados Unidos querem ser o parceiro preferencial, e estamos sempre buscando oportunidades para garantir que nossa tecnologia e nossas empresas sejam as responsáveis ​​por fornecer isso”, disse Rubio.

Uma cláusula do acordo poderá prever que empresas americanas construam uma usina de enriquecimento de urânio na Arábia Saudita, segundo informou o jornal americano The Wall Street Journal. O comunicado não mencionou essa cláusula, e o Departamento de Energia não comentou o assunto após consulta da AFP.

O Congresso deverá analisar o acordo, mas é pouco provável que o Legislativo, controlado pelos republicanos, atrase sua implementação.

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Segundo Jennifer Gordon, diretora da Iniciativa de Política de Energia Nuclear do think tank Atlantic Council, afirmou que o acordo era uma “vitória para os Estados Unidos diante da Rússia e da China”.

“A Arábia Saudita deixou claro que comprará tecnologias de energia nuclear e implementará um programa nuclear civil; a única questão era se o reino optaria por trabalhar com os Estados Unidos e seus aliados ou se recorreria à Rússia ou à China”, disse ela à agência de notícias AFP.

Tensão

Parlamentares americanos e autoridades israelenses se opõem a um programa nuclear civil para a Arábia Saudita por receio de que ele possa levar ao desenvolvimento de armas nucleares. A nação árabe, assim como o Irã, defende seu direito de desenvolver um programa nuclear para fins civis. No ano passado, o país assinou um pacto de defesa mútua com o Paquistão, potência dotada de armas nucleares.

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Nos últimos anos, Washington buscou integrar qualquer acordo relacionado à questão nuclear a uma estratégia mais ampla, que incluiria a normalização das relações entre a Arábia Saudita e Israel, juntamente com a assinatura de um pacto de defesa com os Estados Unidos.

Antes de o acordo ser oficialmente anunciado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, descartou, durante visita a Manila, os temores de que a iniciativa pudesse levar à proliferação nuclear no Golfo.

Chris Wright também minimizou as preocupações com a proliferação e insistiu que o acordo atende aos interesses econômicos e estratégicos de Washington.

“Podem ter certeza de que esses acordos cumprem os mais elevados padrões de segurança nuclear e de não proliferação e que se baseiam na melhor tecnologia e nos melhores cientistas nucleares do mundo, desenvolvidos aqui mesmo nos Estados Unidos”, afirmou em comunicado.

Em 2009, os Estados Unidos firmaram um acordo nuclear com os Emirados Árabes Unidos, embora esse país não enriqueça seu próprio urânio.

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