Trump chama países da Otan de ‘covardes’ após recusa em ajuda militar contra o Irã
Presidente dos EUA renova insatisfação com aliados históricos, que resistem em ajudar a reabrir Estreito de Ormuz por temerem ser arrastados para guerra
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de “covardes” por não atenderem ao seu apelo de ajuda militar contra o Irã. Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira, 20, o republicano reclamou da falta de assistência de seus aliados históricos na tentativa de reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital de petróleo fechada por Teerã desde o início do conflito.
“Eles reclamam dos altos preços do petróleo que são obrigados a pagar, mas não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, uma manobra militar simples que é a única razão para os altos preços do petróleo”, disse Trump. “É tão fácil para eles fazerem, com tão pouco risco. COVARDES, E NÓS NOS LEMBRAREMOS!”, completou, em caixa alta.
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos pelo planeta, se tornou o estopim de uma crise entre Washington e seus aliados europeus ao longo dessa semana. Tudo começou com uma entrevista de Trump ao jornal britânico Financial Times, onde o mandatário alertou que a Otan enfrentaria um “futuro muito ruim” caso não ajudasse a desobstruir o canal, fundamental nesga oceânica de menos de 40 quilômetros de largura.
“É apropriado que as pessoas beneficiadas pelo Estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça por lá”, afirmou na ocasião.
No entanto, a pressão da Casa Branca não surtiu grande efeito sobre os líderes da Otan, com muitos adotando uma postura indiferente. Alguns chegaram a recusar abertamente tomar parte do conflito promovido pelos americanos, incluindo as principais potências militares do velho continente: França e Reino Unido. O presidente francês, Emmanuel Macron, foi taxativo ao dizer que “nunca participaria de operações para liberar o Estreito” no contexto atual, enquanto o premiê britânico, Keir Starmer, garantiu que seu país “não será arrastado para uma guerra mais ampla” contra Teerã.
Em resposta, Trump subiu o tom com seus aliados, classificando as recusas como “um erro muito estúpido” e afirmando que os Estados Unidos se lembrariam disso no futuro. Na quinta-feira 19, seis grandes potências, incluindo Reino Unido, Alemanha, França e Japão, deram sinais de reconsideração ao se mostrar dispostas a “contribuir com os esforços apropriados” para garantir a livre passagem pelo Estreito. Porém, nenhum deles se comprometeu formalmente com uma operação ou falou em propostas completas.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início no dia 28 de fevereiro, quando tropas americanas e israelenses bombardearam diversos pontos da nação persa sob justificativas variadas, como mudar o regime, desarticular o programa nuclear iraniano e incapacitar seu poder bélico de mísseis. A ordem de ataque de Trump, que iniciou um cenário generalizado de instabilidade no Oriente Médio, não consultou ou avisou nenhum dos países da Otan.
Reforços
Em meio às dúvidas sobre a duração da guerra, Washington está se preparando para enviar milhares de soldados adicionais para o Oriente Médio. De acordo com fontes ouvidas pela agência de notícias Reuters, os Estados Unidos estão descolando duas Unidades Expedicionárias de Fuzileiros Navais (cada uma com cerca de 2 mil a 2,5 mil integrantes) para reforçar os 50 mil soldados americanos que já estão presentes na região.
Há poucas informações sobre qual será o papel das forças auxiliares, com altos funcionários apontando somente que elas aumentarão a capacidade militar para operações futuras. O movimento levanta suspeitas sobre uma possível incursão terrestre no território iraniano, algo que Trump deixou em aberto na quinta 19.
Durante coletiva ao lado da premiê do Japão, Sanae Takaichi, na Casa Branca, o republicano afirmou que não colocaria tropas “em lugar nenhum”, mas apontou que, se fosse fazê-lo, não contaria aos jornalistas. Segundo os altos funcionários ouvidos pela Reuters, nenhuma decisão foi tomada sobre o envio de soldados para invadir o Irã.







